Cuiabá, 25 de agosto de 2019

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Gaeco investigou encontro de promotor com 'mandante' de falso atentado contra ex-juíza

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ALEXANDRE APRÁ ALEXANDRE APRÁ

Jornalista, diretor do blog Isso É Notícia

O promotor Vinicius Gahyva apareceu em investigação conduzida pelo Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Mato Grosso, órgão ligado ao Ministério Público Estadual (MPE), no procedimento sigiloso instaurado para apurar uma suposto conluio que visaria atentar contra a vida da ex-juíza Selma Arruda, hoje senadora pelo PSL-MT.

Um encontro do membro do MP com um empresário ex-investigado como mandante foi registrado em um relatório de inteligência do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) Nº 008/2015/Gaeco-MT, ao qual o blog teve acesso com exclusividade. O caso que tramitou sob segredo de Justiça foi arquivado por falta de provas e nenhuma denúncia foi feita contra os investigados.

Em depoimento à Justiça de Cuiabá, no mês passado, o cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, apontado como operador do esquema de escutas ilegais por meio de 'barriga de aluguel' conhecido como "grampolândia pantaneira", confirmou que o inquérito foi aberto  com base em comunicação falsa, com o objetivo de espionar inimigos políticos do ex-governador Pedro Taques (PSDB).

Gahyva atualmente está atuando como representante do MP no inquérito aberto para apurar a participação dos policiais militares no esquema dos grampos ilegais.

Segundo Gerson, a falsa ameaça à Selma foi "combinada" entre ela e o promotor de Justiça, Marco Aurélio de Castro, do Gaeco-MT, com o objetivo de bisbilhotar o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o ex-deputado José Riva, e empresários ligados aos políticos. Até o atual governador Mauro Mendes (DEM) é citado na investigação.

Gaeco registrou encontro de promotor com investigado em suposto atentado contra ex-juízan Selma Arruda

Gaeco registrou encontro de promotor com investigado em suposto atentado contra ex-juíza Selma Arruda

Encontro entre promotor e "investigado"

No PIC, os agentes do Gaeco fotografaram, em um relatório técnico, um encontro entre o promotor Vinicius Gahyva e o empresário Reginaldo Luiz de Almeida Ferreira, conhecido como "Rico Abdalla", apontado como um dos supostos articuladores do atentado.

À época, Gahyva era namorado da deputada estadual Janaina Riva, filha de José Riva, também apontado como investigado no procedimento.

Com fotos, o Gaeco narrou que o promotor se encontrou com Rico Abdalla no dia 13 de fevereiro de 2016 em um restaurante de Cuiabá. Eles teriam conversado das 14h até às 17h deste dia.

Em outra foto, uma terceira pessoa aparece nas imagens e é identificada pelo Gaeco como "mulher não identificada". A foto não é totalmente clara, mas, aparentemente trata-se da deputada Janaina Riva.

O relatório do Gaeco aponta apenas Rico Abdalla como investigado. O documento foi assinado pelos agentes Roberval Alves de Souza e Jorge Roberto e Silva. Um dia depois, o promotor Marco Aurélio determinou a produção de um relatório final de inteligência.

Outro lado

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva afirmou que ficou surpreso com o fato noticiado e que solicitará ao procurador-geral de Justiça que seja averiguada a veracidade do suposto relatório de inteligência e que, se comprovada, a razão de seu nome constar em uma investigação cujo objeto de apuração não guarda qualquer pertinência com a sua pessoa.

Acrescentou, ainda, que de acordo com a foto publicada na matéria, se encontrava em local público e na presença e companhia de várias pessoas.

Confira os trechos do procedimento onde o Gaeco cita o promotor Vinicius Gahyva:

 

 

 

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