Cuiabá, 19 de agosto de 2019

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SELMA ARRUDA

MT x Brasília: jogo empatado

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SELMA ARRUDA SELMA ARRUDA

Ex-juíza e senadora da República pelo PSL-MT

Vivemos momentos difíceis. A democracia encontra-se seriamente ameaçada pelo constante aviltamento aos mais basilares princípios do Estado Democrático de Direito. A Constituição Federal tem sido utilizada e manipulada ao bel prazer de interesses pouco ou nada republicanos.

Enquanto o povo brasileiro brada nas ruas e não tem preguiça de se manifestar nas redes sociais o tempo todo por um Brasil melhor, mais ético, menos corrompido, autoridades de todos os poderes encontram brechas legais para se locupletarem, em benefício próprio ou de terceiros, seja financeiramente, seja por motivos que visem sua perpetuação no poder.

A Operação Lava Jato, que inaugurou no País uma era de descortinamento dos crimes de corrupção e fez com que o povo abrisse os olhos para o que ocorria nas entranhas do governo encontra-se seriamente ameaçada.

Ao que tudo indica, uma quadrilha de hackers foi cooptada pela organização criminosa desmantelada pela Lava Jato. Os quadrilheiros, especializados em estelionatos e outros crimes, logo trataram de invadir celulares de autoridades e repassar o conteúdo de mensagens, não se sabe se verídicas ou manipuladas, para uma imprensa que há muito anda descontente com o governo Bolsonaro.

A informação a respeito desse crime chega ao povo completamente distorcida. Ao invés de darem ênfase ao crime de invasão dos dados confidenciais das autoridades, preferem questionar um conteúdo cuja veracidade é absolutamente duvidosa. 

Aí não falta quem atire a primeira pedra. Atirar pedras rende notícia, visibilidade e, certamente, voto. Como estamos vendo, as Madalenas da vez são o Juiz Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato. 

O mesmo que foi considerado herói nacional até poucos dias atrás, transforma-se agora em um juiz parcial e corrompido pela própria vaidade, segundo os relatos e as interpretações estapafúrdias da mídia. O procurador Dallagnol transforma-se em mero boneco manipulado por Moro e os réus, os ladrões, transformam-se em vítimas de abuso de autoridade. 

Em Mato Grosso não é diferente. Mutatis mutandis, ocorre exatamente o mesmo, só que as Madalenas pantaneiras são o GAECO e a Juíza Selma Arruda. 

É de conhecimento de todo povo mato-grossense o grandioso trabalho executado pelo Ministério Público de Mato Grosso na perseguição aos maiores corruptos que já nos governaram. 

José Geraldo Riva, o político mais processado do Brasil, foi o primeiro alvo, na conhecida Operação Imperador. Embora já respondesse a inúmeras ações penais, só foi preso, processado e condenado graças ao trabalho do Gaeco. Seus crimes vieram à tona, o povo teve conhecimento dos desvios de milhões de reais e do prejuízo causado à nossa sociedade, graças ao GAECO.

Silval Barbosa, o maior larápio da história do Governo de Mato Grosso, alvo de operações deflagradas tanto pelo Gaeco como pela 14ª. Promotoria, só foi preso, processado e condenado também graças à coragem e lisura desses profissionais. Assim como ele, outros componentes do governo foram igualmente presos e muitas ações criminosas foram levadas a conhecimento público.

Recuperou-se milhões de reais e apreendeu-se inúmeras propriedades adquiridas pelos meliantes com o dinheiro do povo.

Assim como eles, outros tantos ladrões, homicidas, traficantes e criminosos de toda espécie saíram de circulação por conta da dedicação e da independência do Ministério Público Estadual. 

O problema é que, assim como na Operação Lava Jato, os alvos abatidos pela ação ministerial são pertencentes a organizações criminosas poderosíssimas, que há anos dominam nosso País. 

Assim, seria muita ingenuidade não imaginar que tais criminosos não reagissem, mais cedo ou mais tarde. E quando se trata de poder e corrupção, para os malandros vale o ditado: mexeu com um, mexeu com todos.

O fato é que o GAECO tem sofrido ataques de toda sorte, ora vindos de meliantes travestidos de advogados, cujas teses mirabolantes são formuladas de modo a encontrar destinatários certos no Judiciário, ora de outros biltres, cooptados pelas organizações criminosas, assim como ocorre no caso dos hackers a que me referi acima.

Um tal Cabo Gerson, que tem conseguido a proeza de ditar o rito processual da forma que bem entende, na ação penal a que responde por ter participado do que se denominou “Grampolândia Pantaneira”, em uma das inúmeras versões sobre os crimes que cometeu, resolveu envolver o GAECO e a Juíza Selma Arruda nas suas maracutaias.

Passou a acusar promotores de justiça de terem feito grampos ilegais em investigações que tramitaram na 7ª. Vara Criminal. Disse até que se criou uma investigação fictícia sobre ameaça sofrida por mim, visando bisbilhotar a vida de Silval Barbosa e de José Geraldo Riva.

Mas aí vem a pergunta: era necessário inventar alguma coisa para interceptá-los, já que eram réus investigados e processados naquela vara?

Se foram interceptados ou não por este motivo, não sei. A investigação não correu sob meu comando, até porque eu era a vítima. De qualquer forma, assim como está ocorrendo na Lava-Jato com a tentativa de desmoralizar Moro e Dallagnol, aqui em Mato Grosso querem usar esse tipo de subterfúgio para desacreditar o GAECO e a Juíza Selma Arruda. 

A desmoralização do GAECO e do Ministério Público, sob alegação de que agem em desacordo com a Lei e abusam da autoridade interessa a quem?

Será que pensam que o povo é cego e não enxerga que os que agora bradam pela punição do GAECO são diretamente interessados na anulação das Operações e na absolvição dos corruptos? Será que os que acolhem esse tipo de alegação não percebem que estarão desmoralizando a si próprios?

Assim como em Brasília, em Mato Grosso há quem se esconda por trás da Constituição para defender os maiores gatunos da nossa história. Uma pena que não veem que a Constituição é transparente e, ao contrário de ocultá-los, faz com que o povo veja, perceba e sinta cada vez mais quem são os verdadeiros malandros.

Nossa Constituição não foi feita para garantir direitos de facínoras, isso é fruto da interpretação pífia promovida por uma esquerda que trabalhou durante anos pela desconstrução dos nossos valores morais e éticos. Ela prevê direitos e obrigações. O cidadão cumpre suas obrigações e tem garantidos seus direitos. Isso é o justo.

Enquanto isso, a OAB faz questão de compor o circo, como se não fosse público e notório o interesse de alguns de seus membros na anulação das operações, tanto da Lava-jato como em Mato Grosso. 

A OAB até agora omitiu-se no combate aos corruptos. Agora, se levanta na defesa desses criminosos e, agindo por interesse próprio, acaba enchendo de lama os nomes de muitos advogados honestos, que sequer foram consultados a respeito. 

Tomara que essa inversão de valores não resulte no pior.

Brasileiros, mato-grossenses, reflitamos: enquanto a briga pelo poder faz com que o Judiciário se omita no combate à corrupção e as autoridades investigativas fiquem acuadas, quem ganha é a defesa dos malfeitores e quem perde é o Brasil.

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