Cuiabá, 23 de agosto de 2019

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Unemat é alvo de crítica após excluir obra de autora de MT

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Advogado Eduardo Mahon, que se posicionou contrário à decisão da Unemat e criticou o reitor

MIDIA NEWS MIDIA NEWS

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A decisão da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), de excluir das obras exigidas para o vestibular 2019/2 a única autora mato-grossense, desagradou escritores e professores do Estado.

O edital complementar do vestibular 2019/2, publicado no último dia 25, retirou da lista o livro "Entre Uma Noite e Outra" da escritora Lucinda Persona.

Em uma postagem no Facebook, o advogado e escritor Eduardo Mahon lamentou a decisão e fez críticas ao reitor Rodrigo Bruno Zanin.

“O quão mais pobre ficou sua lista, Sr. Reitor. O quão menos mato-grossenses estamos ficando, meus amigos”, comentou Mahon.

Ele continua a postagem com mais críticas à decisão. “Vossa Magnificência não deve acompanhar os últimos 20 anos de intensa movimentação literária no seu próprio Estado. Não deve conhecer o núcleo Wlademir Dias-Pino da sua própria Unemat”, escreveu.

Nos comentários da postagem, várias pessoas, entre elas professores universitários e escritores, também criticaram a decisão.

“Agora vamos ver quantas questões de História e Geografia serão cobradas. Aposto que 1 ou 2 e talvez nenhuma. Triste, muito triste”, escreveu uma delas.

“É preciso ver se a decisão foi do reitor ou se o edital chegou pronto para ele apenas assinar. Quem tomou a decisão de excluir a obra da Lucinda e por quê?”, questinou a escritora Marta Cocco, que também é professora da Unemat.

Mahon contou em entrevista ao MidiaNews que o conselho diretor da Unemat havia decidido que dois autores mato-grossenses - um clássico e um contemporâneo - entrariam para a lista de obras do vestibular e a cada dois anos haveria uma troca de obras e escritores.

“Constituiu-se uma comissão especial para análise dos autores. E claro, foi escolhido logo de cara Ricardo Guilherme Dicke, que é um ícone de Mato Grosso, e a maior poeta viva daqui, que é a Lucinda Persona”, comenta.

Ele atribui a decisão de retirar o título de Lucinda a uma suposta dificuldade em adquirir a obra. “A comissão viu muitas reclamações de que não conseguia encontrar o livro. Na verdade o que o paulista, o carioca, o gaúcho reclama é porque ele não viu isso no Ensino Médio”, disse.

Ele finaliza criticando mais uma vez a decisão de retirar os autores. “É uma visão – odeio essa expressão – muito colonialista do pensamento. Aqui é o seguinte: só vale o nacional. Isso [a retirada] confirma o descrédito. Acho que a instituição está cedendo ao mais fácil. Ela está se recusando a encarnar a missão institucional para a qual foi criada, que é refletir e ajudar a transformar o Estado de Mato Grosso”, concluiu.

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