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Mercado imobiliário em baixa na Capital de Mato Grosso
Para ser esquecido. O ano de 2014 interrompeu um período de vacas gordas para o segmento imobiliário que vinha sendo registrado desde 2008. Uma série de fatores locais e nacionais interrompeu a expansão ao frear demanda e consequentemente os investimentos. Para quem está de fora, um dos melhores parâmetros para se enxergar que o ano frustrou as expectativas é a arrecadação do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que, conforme a secretaria de Finanças de Cuiabá, recuou 15,64% no acumulado de janeiro a outubro de 2014 na comparação com igual momento do ano passado.
O ritmo de negócios do segmento vinha em uma cadência acelerada até 2012 e depois passou a perder força. Por isso, de 2008 até agora, 2014 pode ser considerado o pior dos últimos sete anos. Além dos efeitos da política econômica nacional – volta da inflação e alta taxa de juros – e das eleições, fatores locais como as obras de mobilidade urbana e a realização da Copa do Mundo, fizeram do ano um período atípico com menos dias úteis, maior prazo para liberação dos processos burocráticos, atrasos nos cronogramas das obras e a própria cautela que o momento de incertezas na política e na economia gerou tanto junto aos empreendedores, investidores e consumidores. O ano foi marcado pela entrega de imóveis e não por grandes lançamentos, como se via até 2012.
Conforme a Secretaria de Finanças, a arrecadação do ITBI soma nos primeiros dez meses desse ano, R$ 25,39 milhões, 15,64% menor que os R$ 30,10 milhões contabilizados em igual intervalo de 2013. Para ilustrar ainda mais a movimentação do segmento, a prefeitura ao elaborar a Lei Orçamentária Anual (LOA) para execução neste ano, previa um total de R$ 39,59 milhões em ITBI. Entre o realizado e a projeção (para 2014), por exemplo, já há um déficit de quase 36%. “A arrecadação reflete bem a esfriada do mercado, até porque viemos de um 2013 com crescimento de 30% na arrecadação do imposto e ao fazer a LOA 2014 tivemos uma visão mais conservadora, projetando uma expansão que seria a metade do realizado em 2013”, explica o secretário Guilherme Müller. Ele completa dizendo que houve uma reação de setembro para cá e prevê que se o ITBI atingir os mesmos R$ 30 milhões do ano passado, “vai estar de bom tamanho”.
CONTEXTO - Como explica o presidente do Secovi – sindicato que reúne as empresas imobiliárias – Marco Pessoz, das 5,3 mil unidades que deveriam ter sido entregues em 2014, menos de 40% serão até o final do ano. E essa ausência vai de fato influenciar na arrecadação do ITBI, o imposto que se paga por transações imobiliárias. “Houve atraso nas entregas, por vários motivos não foi possível cumprir prazos. 2014 foi um ano atípico, poucos dias úteis no primeiro semestre. O que levava 30 dias para ser aprovado passou para até 80 dias. Maio, junho e julho foram meses de paradeira total. Havia uma expectativa de que 2014 fosse o pico de entregas e isso ficou para concluir em 2015”. Em 2013 foram entregues 3,8 mil unidades. Read more...
Conforme Pessoz, passada a Copa do Mundo e as eleições, houve uma nitidez sobre o cenário político-econômico e então, em outubro o segmento retomou os negócios com maior firmeza. “Mas até chegar a outubro, tivemos um ano bastante difícil em função da atipicidade. É claro que as incertezas em relação ao país frearam o segmento como um todo, tudo em compasso de espera, inclusive o consumidor”.
O vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção no Estado (Sinduscon/MT), Julio Cesar de Almeida Braz, frisa que o segmento veio de um 2011 e 2012 muito bons e que 2014, de fato, vai sendo marcado por menos entregas e quase sem grandes lançamentos. “Vários fatores atingiram o setor desde a macroeconomia, passando pela Copa como também por entraves junto à Companhia de abastecimento da capital, que por não viabilizar projetos há dois anos, fez com que cerca de R$ 6 bilhões deixassem de ser injetados e reduzindo a oferta para 2014”. Ele lembra que no primeiro semestre do ano, o aumento no ritmo das obras de mobilidade urbana travou a cidade em muitos pontos. “O cliente não chegava ao stand de vendas”.
No lapso das incertezas, Braz lembra que a oferta de imóveis caiu também porque muitas empresas de fora, que aportaram aqui no boom do segmento, foram embora, bem como seus projetos. “Temos uma carência por imóveis de até R$ 350 mil. No boom, focaram-se investimentos de baixa renda e de alto padrão e acho que isso deve ser repensado para o próximo ano”. Ele crê que 2013 e 2014 foram anos de estabilização do setor depois de um período muito bom. “O mesmo ocorre com os preços, depois do pico que não foi motivado só pela Copa, mas pelo contexto {oferta de crédito, demanda reprimida e outras facilidades}, há estabilização e por isso 2015 deverá ser um ano bom com os imóveis voltando à preferência dos investidores como opção a nova realidade econômica do Brasil.









