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COTIDIANO 24 de Agosto de 2015, 11:41 - A | A

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015, 11h:41 - A | A

COTIDIANO

A guerra primitiva dos paulistanos contra a bicicleta e o progresso

A guerra primitiva dos paulistanos contra a bicicleta e o progresso

Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT)

Você mede hoje o avanço social de uma grande cidade pelas bicicletas.

 

Quanto mais ciclistas, mais avançada.

 

Copenhague e Amsterdã são modelos mundiais.

 

Londres, Nova York e Paris se empenham tenazmente para aumentar o número de bicicletas nas ruas e reduzir o de carros.

 

São Paulo, miseravelmente, ficou para trás, por conta de administrações ineptas como a de Serra. 

 

E quando aparece enfim um prefeito disposto a corrigir um atraso humilhante ele é recebido não com aplausos – mas com uma camada selvagem de resistência.

 

Um dia vamos tentar entender como São Paulo se tornou uma cidade tão infestada de pessoas que abominam inovações e mudanças.

 

O túmulo do samba se converteu no túmulo das novidades.

 

Um episódio simbólico ocorreu neste domingo, quando Haddad, de bicicleta, inaugurava uma ciclovia. Um casal de patetas imobilizou sua bicicleta e proferiu insultos. Sinal dos tempos, as mulheres dos desvairados se tornaram cúmplices. Antes, sensatas, elas eram um contraponto a maridos encrenqueiros. Agora, contribuem para o incêndio.

 

Haddad não inventou a roda. Estava na cara, quando ele assumiu a prefeitura, que o maior drama da cidade era a mobilidade.

 

Se antecessores como Serra e Kassab não viram isso é porque a incompetência deles é desumana.

 

Haddad viu, portanto, o óbvio.

 

E agiu.

 

Sob o estímulo de uma mídia cujo cérebro estacionou no século passado, os donos de carros começaram a criar problemas sobre problemas.

 

É como se a cidade pertencesse a eles.

 

Em sua cegueira egoísta, não se deram conta de que a diminuição dos carros nas ruas seria um bem para todos.

 

Haddad teve a explicar a jornalistas ignorantes como o professor Villa que primeiro você tem que abrir ciclovias para depois aparecerem e se multiplicarem os ciclistas.

 

Nas eleições municipais do ano que vem, é possível que Haddad seja punido por ter tentado tirar São Paulo do primitivismo em termos de bicicletas.

 

Mas a história da cidade reconhecerá nele um espírito sintonizado com o sue tempo.

 

Pois não é possível que, indefinidamente, os paulistanos serão cobertos pelo grau de obtusidade e reacionarismo que é hoje a marca de uma metrópole que foi sempre tão dinâmica e aberta a novas ideias.

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