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COTIDIANO 18 de Fevereiro de 2015, 16:52 - A | A

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015, 16h:52 - A | A

COTIDIANO

Beija-Flor é eleita campeã do Carnaval 2015 no Rio de Janeiro

Beija-Flor é eleita campeã do Carnaval 2015 no Rio de Janeiro

Reprodução

Brija Flor

 

Com enredo polêmico patrocinado pela Guiné Equatorial, a Beija-Flor foi eleita campeã do Carnaval 2015 no Rio. 

 

O resultado foi revelado durante apuração das notas, realizada nesta quarta-feira (18), na Sapucaí. Este é o 13º título da Beija-Flor. O penúltimo foi em 2011, com enredo sobre o cantor Roberto Carlos.

 

Desde o começo da apuração, a Beija-Flor figurou entra as primeiras colocadas. A partir do quesito mestre-sala e porta-bandeira, assumiu o primeiro lugar. A Viradouro, do início ao fim da apuração em último lugar, foi rebaixada para a Série A, o grupo de acesso.

 

A Beija-Flor foi a terceira escola a entrar na Sapucaí na segunda noite de desfiles do Carnaval carioca. Ovacionada pela plateia aos gritos de "é campeã!", a agremiação de Nilópolis defendeu um enredo patrocinado pelo país africano comandado há 35 anos por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que, segundo a ONG Anistia Internacional, é acusado de violações de direitos humanos, tortura e prisões arbitrárias.

 

Puxado mais uma vez por Neguinho da Beija-Flor, que comemora 40 anos à frente da escola, o enredo "Um Griô Conta a História: um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos Sobre a Trilha de Nossa Felicidade" levou para a avenida alegorias feitas com búzios, palha e sisal. Griô, na mitologia africana, é um contador de histórias orais.

 

As seis melhores colocadas voltam à avenida no próximo sábado, dia 21, a partir das 20h30, para o desfile das campeãs. 

 

Desfile

 

A Beija-Flor de Nilópolis entrou na avenida disposta a se reabilitar do sétimo lugar obtido no Carnaval passado. 

 

Com um visual imponente, a azul e branca trouxe para a Sapucaí mais um enredo de matriz africana, tão cara à sua trajetória no Carnaval. 

 

Exaltando a Guiné Equatorial, trouxe carros alegóricos gigantescos e fantasias esmeradas.

 

A bateria, dos mestres Plínio e Rodney, apresentou um andamento bem cadenciado. Nos setores finais da avenida, a Beija-Flor pecou em evolução, abrindo um grande buraco entre alas após o recuo da bateria – o que acabou não atrapalhando na luta pelo título.

 

A escola teve mais uma vez Raíssa Oliveira como rainha de bateria e também a atriz Claudia Raia como madrinha, representando uma deusa soberana. 

 

Polêmica

 

De acordo com uma reportagem do jornal "O Globo", a escola teria recebido R$10 milhões de patrocínio da Guiné Equatorial. 

 

O presidente do país africano é um dos líderes mais ricos do continente e tem imóveis em diversos países, inclusive no Brasil. 

 

Na escola, apenas o embaixador da Guiné Equatorial no Brasil, Benigno-Pedro Tang, desfilou. Ele saiu no último carro alegórico. O vice-presidente do país e outras autoridades assistiram ao desfile de um camarote próprio. 

 

Tang negou que o governo de seu país tenha financiado a Beija-Flor. "Foram financiadores culturais", afirmou. "O governo não tem nada a ver com isso. Somente pessoas do meio cultural", disse Tang ao jornal O Estado de S. Paulo. "O que a imprensa divulgou é uma soma muito excessiva. Se quiserem, podemos verificar e fazer a estimativa em detalhes em vez de falar no ar", acrescentou.

 

Ao final do desfile, Laíla, presidente da comissão de carnaval da Beija-Flor, criticou a imprensa ao falar sobre a polêmica. 

 

"Tem tanta coisa para jornalistas se preocuparem, tantas mazelas, e querem pegar o Carnaval, uma escola de samba honesta, de comunidade carente, que vive na miséria, para tirar proveito. É sujo", disse ele na dispersão, acrescentando que não fala sobre valores. "O país é maravilhoso. Nós sabemos fazer carnaval. Eu não suporto política. Eu não falo de política." 

 

Apuração

 

Nenhuma escola foi penalizada antes do início da leitura dos votos. Assim como em São Paulo, o quesito evolução foi definido como critério de desempate caso duas escolas de samba ficassem empatadas com o mesmo número de pontos ao final da apuração.

 

Para ter um bom julgamento no quesito evolução, a escola deve apresentar perfeito entrosamento entre a dança dos componentes e o ritmo do samba executado pela bateria. Desfiles lentos ou acelerados demais podem perder pontos. 

 

Em um dos momentos curiosos da apuração, foi anunciado que uma das notas do quesito alegorias e adereços da Unidos da Tijuca não foi lançada no sistema pelo jurado. Pelo regulamento, repete-se a nota mais alta no mesmo quesito dada à escola. No caso, nota 10.

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