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COTIDIANO 08 de Junho de 2014, 17:32 - A | A

Domingo, 08 de Junho de 2014, 17h:32 - A | A

COTIDIANO

Enquanto saúde de Cuiabá padece, consultas crescem 12% em cidades de MT atendidas pelo Mais Médicos; Mauro é o único prefeito de capital do País que recusou o programa

Enquanto saúde de Cuiabá padece, consultas crescem 12% em cidades de MT atendidas pelo Mais Médicos; Mauro é o único prefeito de capital do País que recusou o programa

Mauro Mendes e Dilma Rousseff

Prefeito Mauro Mendes (PSB) e presidenta Dilma Rousseff (PT)

Levantamento feito pelo Ministério da Saúde em cidades mato-grossenses que participam do Programa Mais Médicos aponta aumento de 12% no número de consultas realizadas nas unidades básicas de saúde. Em janeiro de 2014, foram contabilizadas 20.811 consultas no estado contra 18.577 no mesmo período do ano anterior, quando a população ainda não contava com o reforço dos médicos cubanos que fazem parte do programa.

 

Curiosamente, Cuiabá, que vem enfrentando séria crise no sistema de saúde pública é a única capital do País a recusar o programa Mais Médicos. A decisão do prefeito Mauro Mendes (PSB), nos bastidores, é apontada como uma maneira de dar "respaldo de discurso" ao pré-candidato a Presidência, Eduardo Campos, do seu partido.

 

Reportagem divulgada pelo Fantástico, na semana passada, mostrou o caos que tomou conta o Pronto-socorro Municipal de Cuiabá. Ali, faltam médicos, enfermeiros e até remédios. A reportagem mostrou a história de uma idosa que, mesmo com uma liminar expedida pela Justiça, não conseguiu atendimento e morreu à míngua.  

 

Na contramão disso, o estado de Mato Grosso ampliou em 198 o número de médicos atuando na atenção básica de 104 municípios e distritos indígenas. O Ministério da Saúde atendeu 100% da demanda por médicos apontada pelos municípios e superou a meta inicialmente estabelecida.

 

Os impactos do Programa no estado foram apresentados pelo secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Hêider Pinto, durante o Seminário Mais Médicos para o Brasil, Mais Saúde para os Brasileiros, realizado em Cuiabá (MT) na última sexta-feira (6).

 

Atualmente, o Mais Médicos garante assistência médica nas unidades básicas de saúde para 683 mil mato-grossenses. “Atendemos a 100% da demanda dos municípios e o Programa deu confiança à população no atendimento na atenção básica. Hoje a população sabe que tem perto de casa um médico todos os dias da semana, de manhã e a tarde, para ser atendido, o que significa menos internação, maior economia de recurso para o sistema e melhor qualidade de vida para o cidadão ”, enfatizou Hêider Pinto.

  

O evento reuniu prefeitos e secretários de saúde de municípios do estado que aderiram ao Programa. “Quanto menor o município e localizado mais ao norte, mais dificuldades eles encontram. O programa provou que quando se tem vontade política se faz”, afirmou a Presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais Saúde – Conasems, Sílvia Sirena.

 

Luiz Alves / Folha do Estado

Seminário Mais Médicos Cuiabá

Curiosamente, o secretário municipal de Saúde de Cuiabá, que não aderiu ao programa, esteve presente evento sobre o "Mais Médicos"

 

Esse é um dos vários seminários a serem realizados pelo governo federal em todo país para debater com gestores públicos os primeiros impactos do Mais Médicos na assistência da população que vive nas cidades beneficiadas pela iniciativa. Levantamento feito pelo Ministério da Saúde em mais de dois mil municípios que contam com pelo menos um médico do Programa servirão de base para essa discussão. São dados dos sistemas de acompanhamento da atenção básica (Siab e eSUS), alimentados pelas secretarias de saúde de todo o país.

 

Pollyana Araujo / G1-MT

Casa de médicos cubanos

Ileana Acosta e Vladimir Valdés são médicos cubanos e atendem pacientes indígenas da etnia Kayapó, em Colíder, a 648 km de Cuiabá

MAIS ASSISTÊNCIA – Em Mato Grosso, além do crescimento de 12% no número de consultas, observou-se aumento de 24%, na quantidade dos atendimentos de pré-natal (passaram de 4.515 para 5.596, no mesmo período), de 6% no atendimento de pessoas com diabetes (3.728 para 3.942). Também foi registrado redução de 30% nos encaminhamentos aos Hospitais. (223 para 322).

 

Em todo o país, o número geral de consultas realizadas na Atenção Básica cresceu quase 35% no mesmo período – foram 5.972.908 em janeiro de 2014 contra 4.428.112 em janeiro de 2013.

 

Entre esses atendimentos, teve destaque o de pessoas com diabetes, que aumentou cerca de 45% - passou de 587.535, em janeiro de 2013, para 849.751 em janeiro de 2014. Os atendimentos de pacientes com hipertensão arterial aumentaram em 5% no mesmo período, e as consultas de pré-natal, em 11%. O encaminhamento a hospitais diminuiu em 20%, passando de 20.170 para 15.969.

 

O governo federal já superou a meta de levar médicos para os municípios de todo o país que aderiram ao Programa Mais Médicos. Atualmente mais de 14 mil profissionais atuam em cerca de 4 mil cidades. A maioria (75%) dos médicos está em regiões de grande vulnerabilidade social, como o semiárido nordestino, periferia de grandes centros, municípios com IDHM baixo ou muito baixo e regiões com população quilombola, entre outros critérios de vulnerabilidade.

 

MAIS MÉDICOS – Lançado em julho de 2013 pela presidenta Dilma Rousseff, o Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS, com o objetivo de aperfeiçoar a formação de médicos na Atenção Básica, ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país e acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde.

 

Os profissionais do programa cursam especialização em atenção básica, com acompanhamento de tutores e supervisores. Para participar da iniciativa, eles recebem bolsa formação de R$ 10,4 mil por mês e ajuda de custo pagos pelo Ministério da Saúde. Em contrapartida, os municípios ficam responsáveis por garantir alimentação e moradia aos participantes.

 

 

Além da ampliação imediata da assistência em atenção básica, o Mais Médicos prevê ações estruturantes voltadas à expansão e descentralização da formação médica no Brasil. Até 2018, serão criadas 11,4 mil novas vagas de graduação em medicina e mais de 12 mil novas vagas de residência médica.

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