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Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026, 11h:28 - A | A

R$ 200 MIL

MPT pede indenização de R$ 200 mil após apontar risco de câncer a funcionários de hospitais

Ação contra empresa responsável pelo HMC e São Benedito cobra medidas para proteger trabalhadores expostos a radiação e produtos cancerígenos

G1

Luiz Alves

Hospital Municipal de Cuiabá (HMC)

Hospital Municipal de Cuiabá (HMC)

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) entrou na Justiça contra a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) após identificar falhas na proteção de trabalhadores expostos a substâncias e agentes considerados cancerígenos nos hospitais municipais de Cuiabá. O órgão pede que a empresa adote medidas para reduzir os riscos e também solicita uma indenização de pelo menos R$ 200 mil por dano moral coletivo.

O g1 entrou em contato com a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), mas até a última atualaização desta reportagem não obteve retorno.

A ECSP é responsável pela gestão do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e do Hospital Municipal São Benedito. A ação foi apresentada nesta quarta-feira (2) e é resultado de uma investigação realizada pelo MPT dentro de um projeto nacional voltado à prevenção do câncer relacionado ao trabalho.

Entre os principais problemas apontados estão falhas no controle da exposição à radiação ionizante e ao óxido de etileno, substância utilizada na esterilização de materiais hospitalares.

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Falhas foram encontradas na proteção

De acordo com o MPT, a investigação encontrou problemas em diferentes etapas de controle dos riscos, como monitoramento da exposição, treinamento dos funcionários, uso de equipamentos de proteção e acompanhamento médico.

No caso da radiação ionizante, o órgão apontou falta de documentos que comprovassem a eficácia das medidas de proteção e ausência de registros sobre treinamentos periódicos para os profissionais expostos.

A radiação é utilizada em procedimentos médicos e pode causar danos à saúde quando a exposição ocupacional não é devidamente controlada. O MPT destaca que o agente é reconhecido como cancerígeno.

Produto usado para esterilizar materiais

Outro ponto da investigação envolve o óxido de etileno, utilizado para esterilizar materiais que não suportam altas temperaturas ou umidade, como cateteres e seringas.

Segundo o MPT, foram identificadas falhas na identificação dos locais e atividades que podem expor os trabalhadores ao produto, além de problemas nas medidas de prevenção e no acompanhamento da saúde desses profissionais. A exposição pode ocorrer durante etapas como a esterilização, retirada dos materiais dos equipamentos, armazenamento ou em casos de vazamento.

O que o MPT pede

Na ação, o órgão solicita que a Justiça do Trabalho determine uma série de medidas para aumentar a proteção dos funcionários.

Entre os pedidos estão:

  • Adequação dos programas de saúde e segurança do trabalho;

  • Implantação e atualização do Plano de Proteção Radiológica;

  • Acompanhamento médico dos trabalhadores expostos;

  • Fornecimento e controle de equipamentos de proteção individual;

  • Monitoramento da exposição à radiação;

  • Calibração dos equipamentos utilizados para medir a exposição;

  • Treinamento inicial e periódico dos funcionários.

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