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COTIDIANO 08 de Setembro de 2026, 13:00 - A | A

Terça-feira, 08 de Setembro de 2026, 13h:00 - A | A

REPORTAGEM ESPECIAL

Os negócios do padre Paulo Ricardo

Religioso que trava luta espiritual contra o “marxismo’ mostra que se dá muito bem no capitalismo, com patrimônio milionário que inclui holding, fazenda em MT e instituto que vende cursos na internet

ALEXANDRE APRÁ

[email protected]

Editor do portal Isso É Notícia

Reprodução/Site padre Paulo Ricardo

Padre é dono de holding cujo capital social é de R$ 4,9 milhões

Padre é dono de holding cujo capital social é de R$ 4,9 milhões

O padre Paulo Ricardo de Azevedo Junior, da Arquidiocese de Cuiabá, é famoso nas redes sociais por seus discursos conservadores, apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e por travar em suas pregações aquilo que chama de guerra espiritual contra o “marxismo cultural”.

Mas, longe do altar e das pregações fervorosas na internet, o padre de 58 anos também revela-se um empresário de sucesso com patrimônio milionário - superior a R$ 4,9 milhões -, com direito a sociedade em holding, fazenda, empresa de agropecuária e instituto para vender cursos na internet.

Polêmico, o padre já ficou conhecido por posar ao lado do escritor Olavo de Carvalho, com uma espingarda na mão, já foi desmentido pelo Consulado da Suécia após espalhar notícias falsas sobre o sistema de ensino do País e posou ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ele também já foi citado em relatório da Polícia Federal sobre participação nos atos golspitas de 6 de janeiro de 2023.

Reprodução/PauloRicardo.org

Curso sobre masculinidade

Curso de masculinidade é vendido por R$ 478 em site de padre

Instituto Padre Pio

O Instituto Padre Pio, que já esteve no nome do padre, pertence hoje a Fabiano Paulo Higuchi e Luciano Paulo Higuchi, com capital social registro junto à Receita Federal de R$ 330 mil.

Mesmo fora do quadro societário atualmente, o nome fantasia ainda faz menção ao religioso.

É através desse instituto que padre comercializa os seus cursos na internet. 

Um deles, por exemplo, o curso “Masculinidade e Liderança”, com 11 aulas, é vendido na plataforma a um preço de R$ 478.

Já o curso “Revolução e Marxismo Cultural” é vendido por meio de planos, cujos preços variam de R$ 99 por mês a R$ 958 por ano.

Curso sobre marxismo

Curso sobre marxismo é vendido por planos no site do religioso

Paraíso na Terra

Se em suas pregações o padre costuma prometer o paraíso no céu aos fieis, Paulo Ricardo já conta com um na Terra.

Localizada em Nossa Senhora do Livramento, a Fazenda Paraíso, com mais de 600 hectares, pertence à empresa NSG Pecuária Ltda, e possui cerca de mil cabeças de gado, segundo a apurou a reportagem.

Fazenda Paraíso NSG Pecuária

Fazenda Paraíso, em Nossa Senhora do Livramento, que está em nome de empresa de padre

A empresa, por sua vez, está em nome da NSG Holding Ltda, cujo sócio administrador, segundo a Receita Federal, é Paulo Ricardo de Azevedo Junior.

A empresa tem capital social registrado de R$ 4.951.684,00 e sociedade com Paulo Ricardo de Azevedo, Katia de Santa Rosa Azevedo, Paulo Victor Azevedo do Nascimento, Lucas Azevedo do Nascimento e Rejane de Santa Rosa Azevedo.

Junta comercial

Documento da junta comercial que mostra sociedade de Paulo Ricardo em fazenda

Além do patrimônio milionário, o padre também declarou à Junta Comercial de Mato Grosso ter como endereço residencial uma mansão no Jardim Califórnia, bairro de classe alta, em Cuiabá-MT.

Isso É Notícia

Casa do Padre Paulo Ricardo

Endereço em bairro de classe alta onde padre declarou à Junta Comercial que reside

O que dizem o padre e a arquidiocese

O padre Paulo Ricardo e a Arquidiocese de Cuiabá foram procurados pela reportagem, por meio da assessoria de imprensa do órgão eclesiástico, mas não responderam aos pedidos de entrevistas.

O espaço, todavia, continua aberto para manifestações.

Reprodução/Internet

Padre Paulo e Jair Bolsonaro e Olavo de Carvalho

Padre já posou armado ao lado de Olavo de Carvalho e com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

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Antonio Jacinto 13/09/2026

Em uma pregacao, esse sacerdote disse que sua familia passava fome quando ele nasceu. Estranho ser dinheiro de heranca ne?

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Patrícia 12/09/2026

Deus tenha misericórdia das almas de quem fez essa reportagem vergonhosa e lhes dê o arrependimento em vida.

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a 12/09/2026

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Raquel 12/09/2026

Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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marxismo cultural 12/09/2026

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marxismo cultural 12/09/2026

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wow 11/09/2026

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marxismo cultural 11/09/2026

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Juliana 11/09/2026

Padre Paulo Ricardo é um sacerdote maravilhoso e esse patrimônio no nome dele é da família dele que sempre foi bem de vida, ou seja ele também não fez voto de pobreza, podem reparar que os sobrenomes no documento da fazenda e da casa são dos herdeiros, no caso padre Paulo e os irmãos. Que matéria mais sem pé nem cabeça.

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VAGNER 11/09/2026

Hoje em dia está muito fácil ser jornalista. Vocês possuem a função de informar e formar a população. Vendo as escolhas que a população faz ao escolher os politicos, vemos que o trabalho de vocês é parcial. A classe política deita e rola com dinheiro público e você preocupado com bens da familia de um sacerdote.

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Daniel Fernandes 11/09/2026

Matéria-ataque, repleta de informações que mais se assemelham a fofocas e insinuações, como se menção em inquérito policial equivalesse a prova de culpa. Querer conspurcar a boa fama de um sacerdote digno, contra o qual não existe menção negativa de conduta, é um gesto indigno vindo de um veículo que se diz jornalístico. Como bem colocado por Nelson Viana, atribuir um valor multimilionário de patrimônio sem que se saiba qual a porcentagem da participação do Padre na holding (que aparentemente é familiar) não é correto. Ao contrário de outros aqui que disseram que o Padre Paulo fez voto de pobreza, isso não é verdade. Ele pode ter patrimônio (aparentemente de origem familiar) e morar em um confortável imóvel. Enfim, a matéria não traz nada que desabone de fato este grande sacerdote.

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Silva 09/09/2026

Pode até não ter feito voto de pobreza, mais também não mostrou riqueza kkkkkkkk. ENGRAÇADO é que só tem Azevedo, ou seja, um mesmo saco kkk

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BETO CARABAJAL 09/09/2026

E Padre em questão é um sacerdote de extrema direita. Representa uma das faces da Igreja Católica Romana. Outrossim, um Presbítero Diocesano Secular da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana), de fato não faz voto de pobreza (Como fazem os sacerdotes católicos da ICAR membros de Congregações Religiosas). Porem, a postura deste presbítero é contrária a tudo o que Jesus Cristo pregou com a sua Palavra e o seu Testemunho. Se aliar e apoiar o Fascismo não é coisa de seguidor de Cristo.

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Marxista Cultural 09/09/2026

O instituto que vende cursos está em nome dos laranjas de Londrina para driblar a igreja católica que não permite esse tipo de comercialização. Paulo Ricardo é imoral, malandro e esperto.

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ALMIR SIMAO ARAUJO 09/09/2026

E inaceitável, um padre que defende político corrupto e ladrão, tira foto com arma e cultua o capitalismo. Não dá para aceitar padre que fogem da linha de Cristo. Tenho dito.

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Nelson Viana 09/09/2026

O debate sobre o patrimônio relacionado ao Padre Paulo Ricardo precisa começar pela precisão dos fatos. A reportagem apresenta registros empresariais que merecem ser considerados, mas deles extrai conclusões que não decorrem automaticamente dos documentos citados. Capital social de uma holding não equivale ao patrimônio pessoal de um de seus sócios, sobretudo quando a própria matéria informa a existência de vários integrantes na sociedade. Também não se pode concluir que um imóvel pertença ao sacerdote apenas porque determinado endereço foi utilizado como residência em registro empresarial, e que é público e notório que nesse endereço moram seus pais e ali ele, Paulo Ricardo, cresceu. Criticar e investigar são funções legítimas da imprensa; transformar relações societárias em prova de riqueza pessoal ou de incoerência moral exige demonstração muito mais consistente, pois forma como está escrito é uma grande fofoca que tisna a imagem do Padre Paulo Ricardo. Também é necessário esclarecer um aspecto essencial da disciplina católica. Padre Paulo Ricardo pertence ao clero diocesano da Arquidiocese de Cuiabá. O sacerdote diocesano não é, simplesmente por ser sacerdote, equiparado a um religioso que tenha professado voto de pobreza. O Direito Canônico exige dos clérigos vida simples e afastamento da vaidade, reconhecendo ao mesmo tempo seu direito à sustentação digna. A Igreja recomenda que os recursos excedentes provenientes do exercício do ministério sejam destinados ao bem e à caridade. Quanto à atividade empresarial, o cânon 286 prevê a necessidade de autorização da autoridade eclesiástica competente. Assim, para afirmar eventual irregularidade canônica seria indispensável demonstrar, entre outras coisas, que determinada atividade foi exercida sem a autorização exigível — algo que a reportagem não demonstra. A pobreza evangélica, portanto, não deve ser reduzida à inexistência jurídica de bens. O Evangelho condena o apego desordenado às riquezas e a transformação dos bens materiais em finalidade última da existência. A tradição católica exige desprendimento, sobriedade, caridade e primazia de Deus; não estabelece como princípio geral que todo sacerdote diocesano esteja civilmente impedido de possuir, receber por herança ou participar da administração legítima de patrimônio familiar. A trajetória pública de Padre Paulo Ricardo, por sua vez, é essencialmente sacerdotal e formativa: pertence ao clero de Cuiabá, foi reitor de seminário durante quinze anos, possui formação teológica e canônica e mantém desde 2006 um amplo apostolado dedicado à formação espiritual e doutrinal. Esses elementos também pertencem ao conjunto dos fatos e precisam integrar qualquer avaliação equilibrada de sua vida pública. Por fim, chama atenção a escolha narrativa da reportagem de aproximar patrimônio, posições conservadoras, críticas ao marxismo, Jair Bolsonaro e episódios políticos numa mesma construção argumentativa. Esses elementos podem ser objeto legítimo de escrutínio jornalístico, mas a justaposição não constitui prova de hipocrisia religiosa, enriquecimento ilícito ou infidelidade ao Evangelho. Tampouco há elementos suficientes para afirmar categoricamente que a matéria tenha sido produzida por perseguição política. O que se pode dizer, com segurança, é que divergências políticas não diminuem o direito do sacerdote à presunção de correção de sua conduta enquanto não houver demonstração objetiva do contrário. Combater as ideias de Padre Paulo Ricardo é perfeitamente legítimo; convertê-las, porém, em argumento para presumir culpa moral a partir de patrimônio familiar ou societário seria abandonar o debate das ideias e substituir a prova pela insinuação.

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Alice Matos 09/09/2026

A matéria apresenta patrimônio, fotos e documentos, mas deixa de contextualizar uma informação fundamental: PADRES DIOCESANOS NÃO FAZEM VOTO DE POBREZA. Diferentemente dos religiosos pertencentes a ordens e congregações que professam esse voto, o sacerdote diocesano pode possuir bens e patrimônio pessoal. Na ordenação, assumem o celibato e fazem uma promessa de respeito e obediência ao bispo e seus sucessores. Portanto, a existência de patrimônio, inclusive dentro de uma estrutura familiar, como uma holding, precisa ser apresentada com o devido contexto. A reportagem expõe cifras e bens, mas não apresenta, pelo que está publicado, uma acusação concreta de irregularidade. O Padre Paulo Ricardo construiu, ao longo de muitos anos, um trabalho de evangelização e formação católica que ultrapassou as fronteiras de Mato Grosso e alcançou fiéis em todo o Brasil. É um sacerdote amplamente conhecido por suas pregações, cursos, catequeses e pela defesa e divulgação da doutrina da Igreja Católica. Sua contribuição alcança leigos, seminaristas, sacerdotes e inúmeras famílias. Para nós, católicos, seu trabalho tem enorme importância na formação, no conhecimento da doutrina e no fortalecimento da fé. Por isso, uma matéria construída essencialmente em torno de patrimônio, sem aprofundar esse contexto, acaba atingindo e denegrindo a imagem de um sacerdote cuja história, missão e relevância para a Igreja Católica vão muito além dos bens e cifras apresentados.

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Erica 08/09/2026

Padre faz sim voto de pobreza e castidade. Hipócritas e Fariseus .Já os chava Jesus

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Adriana Tramontim Druzian 08/09/2026

Felizmente vcs não conseguiram denegrir a imagem de Padre Paulo Ricardo, uma matéria que nada acrescenta! O padre não fez voto de pobreza, é um EVANGELIZADOR, tem que ter suporte e assessoria para produzir e dar seus cursos, gera empregos. Não fez do dinheiro seu deus! Ele o usa para evangelizar, estudar mais e graças a Deus temos um padre Paulo Ricardo na nossa arquidiocese, arquidiocese essa que forma tantos padres Santos e diretores espirituais. Se a família dele é rica, tem holding, patrimônio este fruto do trabalho de seu pai, o que isso acrescenta na sua, na minha ou na vida de qualquer outra pessoa??? Nada!!

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Diego 08/09/2026

O intuito da matéria era denegrir o Padre por ser bem sucedido nos seus negócios particulares? Os comentários ficarao abertos para manifestação do jornalista que escreveu a matéria. Só espero que a dor de cotovelo nao o impeça de digitar sua manifestaçao no teclado.

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Joelson Ramos de Souza 08/09/2026

O padre não fez voto de pobreza, portanto nada impede que ele possua bens, o que não e pecado.

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22 comentários

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