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COTIDIANO 07 de Setembro de 2026, 11:59 - A | A

Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026, 11h:59 - A | A

PNAD CONTÍNUA

Trabalhadores de transporte de passageiros por aplicativo chegam a 1,2 milhão de pessoas no país

Entre os trabalhadores que usavam aplicativos de serviços para trabalhar, a maioria atuava no transporte de passageiros

AGÊNCIA IBGE

Rovena Rosa/Agência Brasil

Entregadores por aplicativo no trabalho principal aumentaram 18,6%

Entregadores por aplicativo no trabalho principal aumentaram 18,6%

Em 2025, houve uma ampliação do questionário sobre o tema, incorporando o trabalho secundário, assim como as plataformas de comércio eletrônico, além de aspectos relacionados a essa forma de trabalho, como o principal motivo para a pessoa realizar o trabalho por meio de aplicativo, entre outros novos quesitos.

No terceiro trimestre de 2025, o Brasil tinha cerca de 102,4 milhões de pessoas ocupadas. Destas, 2 milhões trabalhavam por meio de aplicativos ou plataformas digitais de serviços, seja no trabalho principal ou no secundário, o que representa 1,9% do total de trabalhadores. A grande maioria (1,8 milhão) tinha esse tipo de trabalho como ocupação principal, enquanto 182 mil pessoas o exerciam como atividade secundária. Além disso, cerca de 28 mil trabalhadores utilizavam plataformas digitais tanto no trabalho principal quanto no secundário

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Entre os trabalhadores que usavam aplicativos para trabalhar, a maioria atuava no transporte de passageiros: 1,2 milhão de pessoas, o equivalente a 58,9% do total. Destas, 232 mil utilizavam aplicativos de táxi (voltados especificamente para taxistas) e 1,1 milhão trabalhava com aplicativos de transporte de passageiros diferentes de táxi. Em seguida, estavam os aplicativos de entrega de comida e produtos, utilizados por 585 mil pessoas (29,9%), das quais 376 mil eram entregadores. Já os aplicativos de prestação de serviços gerais ou profissionais eram usados por 313 mil trabalhadores, representando 16% do total de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços.

Entregadores por aplicativo no trabalho principal aumentaram 18,6%

Analisando especificamente o trabalho principal da população ocupada, exceto empregados no setor públicos e militares, em 2025, o Brasil tinha 1,8 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais de serviços em seu trabalho único ou principal, o equivalente a 2,0% dos 89,6 milhões de trabalhadores do setor privado. No período abrangido pela pesquisa, observou-se crescimento do contingente de trabalhadores plataformizados, com expansão de 36,8% em relação a 2022, ano inicial da série, e de 9,1% em comparação a 2024.

Embora esse contingente tenha crescido em relação aos anos anteriores, os trabalhadores de plataformas ainda representavam uma parcela pequena da ocupação privada (2,0%). No trabalho secundário, porém, sua participação era maior, alcançando 6,2% dos ocupados no setor privado, entre as pessoas que tinham um segundo trabalho.

Entre os trabalhadores de plataformas na ocupação principal, também predominavam os que atuavam em aplicativos de transporte de passageiros, que somavam 1,0 milhão de pessoas (57,5%). Desse total, 941 mil trabalhavam em aplicativos de transporte particular diferentes de táxi e 220 mil em aplicativos de táxi. Os aplicativos de entrega reuniam 531 mil trabalhadores (29,4%), enquanto as plataformas de prestação de serviços gerais ou profissionais concentravam 300 mil pessoas (16,6%).

Nos aplicativos de entrega, 325 mil trabalhadores atuavam como entregadores, enquanto 205 mil exerciam outras ocupações por meio dessas plataformas, por exemplo, pessoas que exploravam o seu próprio negócio em atividades de comércio e de serviços de alimentação e que utilizavam diretamente as plataformas de entrega para captar clientes e realizar vendas ou prestar serviços. Em relação a 2024, o maior crescimento de trabalhadores plataformizados no trabalho principal ocorreu justamente entre os entregadores por aplicativo, cujo contingente aumentou 18,6%, passando de 274 mil para 325 mil pessoas.

Homens entre 25 e 39 anos são maioria que trabalha em plataformas digitais de serviços

A população plataformizada era composta, majoritariamente, por homens, com 84,4% do total, enquanto as mulheres representavam apenas 15,6%. Entre os trabalhadores não plataformizados, embora os homens também fossem maioria (58,2%), o percentual de mulheres (41,8%) situava-se em patamar bastante superior ao estimado para os plataformizados.

A distribuição etária dos ocupados revela que o grupo de 25 a 39 anos correspondia a 47,0% das pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços, sendo o grupo mais numeroso, ao passo que, entre os não plataformizados, essa proporção era de 37,4%.

Ao analisar a população ocupada por nível de instrução, observa-se que, entre os plataformizados, prevaleciam as pessoas com níveis intermediários de escolaridade, sobretudo com nível médio completo ou superior incompleto (62,5%). Tal grupo correspondia a 45,3% do total da população ocupada não plataformizada.

Considerando-se as pessoas com o nível superior completo, observa-se a sua menor participação entre os plataformizados (15,2%) em comparação aos não plataformizados (20,1%) e ao total da população ocupada no setor privado (20,0%). Contudo, uma diferença maior foi verificada entre as pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto, as quais correspondiam a apenas 8,3% dos ocupados que trabalhavam por meio de aplicativos, mas representavam 20,3% dos não plataformizados e 20,0% da população ocupada.

Transporte, armazenagem e correios concentram 75,0% das pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços

Ao analisar a distribuição dos ocupados plataformizados por posição na ocupação e categoria do emprego, observa-se a prevalência de trabalhadores por conta própria, que correspondiam a 86,8% do total desses trabalhadores. Os empregadores eram 4,5% dos plataformizados e os empregados no setor privado representavam 8,1%, sendo que os empregados com carteira de trabalho assinada respondiam por 4,5%, enquanto os sem carteira, 3,5%. Esses valores contrastam com o que se observa para o total de ocupados no setor privado, composto por 28,9% de trabalhadores por conta própria, 4,7% de empregadores, 43,8% de empregados com carteira assinada e 15,1% de empregados sem carteira.

Refletindo o fato de que os aplicativos de transporte de passageiros e de serviços de entrega são os mais difundidos no País, percebe-se uma forte prevalência de trabalhadores plataformizados ocupados no grupamento de Transporte, armazenagem e correios, que concentrava 75,0% das pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços, seguido de Alojamento e alimentação, com 9,4%. Considerando o total da população ocupada no setor privado, tais grupamentos respondiam, respectivamente, por 6,5% e 6,1% desse contingente.

Em seguida, entre os trabalhadores por aplicativos de serviços, situam-se os grupamentos de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (5,2% do total de plataformizados) e de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (4,3%), sendo que esse último grupamento abrange boa parte dos serviços profissionais. Os demais grupamentos de atividade respondiam por apenas 6,0% do trabalho plataformizado, enquanto abrangiam mais da metade do total de ocupados no setor privado.

A distribuição por grupamentos ocupacionais mostra que 74,7% dos plataformizados pertenciam à categoria de operadores de instalações e máquinas e montadores, sendo que a grande maioria desses trabalhadores exercia as ocupações de condutores de motocicletas e de automóveis, incluindo os motoboys e motoristas entregadores, taxistas, mototaxistas e motoristas de aplicativo. A elevada prevalência dessas ocupações entre os trabalhadores por aplicativos poderia explicar a menor participação de mulheres entre as pessoas que atualmente trabalham por meio de plataformas digitais no País, como descrito anteriormente, uma vez que tais ocupações ainda são amplamente exercidas por homens.

Os trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados formavam o segundo grupamento ocupacional mais frequente entre as pessoas que trabalhavam por meio de aplicativos de serviços, correspondendo a 11,4% do total de plataformizados no trabalho principal. Em seguida estavam os trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (3,8% dos plataformizados) e os técnicos e profissionais de nível médio (3,2%). Os profissionais das ciências e intelectuais, por sua vez, respondiam por 2,5% do total de plataformizados, percentual bastante inferior ao registrado por esse grupamento no total de ocupados no setor privado (10,1%). Destaca-se que o grupamento das ocupações elementares representava tão somente 2,2% dos plataformizados, o que contrasta com o seu peso no total de ocupados no setor privado, sendo o segundo grupamento ocupacional mais numeroso (16,7% do total de ocupados, excluindo o setor público).

Trabalhadores plataformizados tinham, em média, jornada 5,4 horas mais extensa que a dos demais ocupados

Em 2025, o rendimento médio mensal real habitualmente recebido registrado para os trabalhadores plataformizados foi similar ao estimado para os não plataformizados (R$ 3 147 e R$ 3 148, respectivamente).

Em relação a 2024, observa-se que o rendimento médio dos trabalhadores plataformizados manteve-se próximo da estabilidade, enquanto o rendimento dos demais ocupados no setor privado aumentou 4,1%.

Entre as pessoas com o nível superior completo, o rendimento dos plataformizados (R$ 5 133) era 20,2% inferior ao daqueles com mesmo nível de escolaridade que não trabalhavam por meio de aplicativos de serviços (R$ 6 432). Por outro lado,  no grupo sem instrução e fundamental incompleto, os trabalhadores por aplicativo de serviços registraram um rendimento médio 33,0% superior ao dos demais trabalhadores de mesmo nível de escolaridade, enquanto entre aqueles com ensino fundamental completo ou médio incompleto a diferença era de 24,5%, também a mais para os plataformizados.

Ao analisar a jornada de trabalho, verifica-se que, no Brasil, os trabalhadores plataformizados trabalhavam habitualmente, em média, 44,7 horas por semana no trabalho principal, sendo essa jornada 5,4 horas mais extensa que a dos demais ocupados (39,3 horas). Apesar do rendimento médio do trabalho dos plataformizados, em 2025, ser similar ao dos demais ocupados no setor privado, ao analisar o rendimento médio por hora trabalhada verifica-se uma situação diversa. Os trabalhadores plataformizados (R$ 16,2/hora) registraram, em média, um rendimento-hora 12,0% inferior ao dos não plataformizados (R$ 18,4/hora).

Pouco mais 1 em cada 3 trabalhadores por aplicativo contribuíam para a previdência

Quanto à contribuição para instituto oficial de previdência em qualquer trabalho, observa-se que, no País, 62,4% das pessoas ocupadas no setor privado eram contribuintes em 2025. Entre os trabalhadores plataformizados, esse percentual situava-se em apenas 34,0%, enquanto entre os não plataformizados, os contribuintes eram 63,0%.

Em 2025, 43,3% das pessoas ocupadas no setor privado foram classificadas como informais. Entre os trabalhadores por aplicativo, o grau de informalidade era de 72,1%, percentual bastante acima do registrado para os não plataformizados (42,7%).

Condutores de automóveis plataformizados tinham rendimento mensal, em média, um pouco mais elevado, porém recebiam menos por hora trabalhada

Considerando-se, exclusivamente, o trabalho principal, estimou-se, em 2025, um contingente de 2,0 milhões de pessoas ocupadas como condutores de automóveis no País, aumento de 92 mil pessoas em comparação a 2024. Em 2025, 45,9% (905 mil pessoas) dessas pessoas desses condutores eram plataformizadas, enquanto 54,1% (1,1 milhão) não eram. Houve um aumento de 2,1 p.p. (81 mil) desses condutores plataformizados, entre 2024 e 2025, no total de condutores de automóveis.

Condutores de automóveis plataformizados tinham rendimento mensal, em média, um pouco mais elevado, porém recebiam menos por hora trabalhada

Considerando-se, o trabalho principal, estimou-se, em 2025, um contingente de 2,0 milhões de pessoas ocupadas como condutores de automóveis no País, aumento de 92 mil pessoas em comparação a 2024. Em 2025, 45,9% (905 mil pessoas) desses condutores eram plataformizadas, enquanto 54,1% (1,1 milhão) não eram.

Em 2025, o rendimento médio mensal real habitualmente recebido no trabalho principal pelos condutores plataformizados foi de R$ 2 873, ou seja, R$ 68 superior ao observado entre os não plataformizados (R$ 2 805). Essa diferença caiu no último ano, pois, em 2024, era de R$ 359. Em relação à média de horas habitualmente trabalhadas por semana, os motoristas plataformizados tinham uma jornada 45,9 horas, portanto, superior à dos que não trabalhavam por meio de aplicativos (40,4 horas), perfazendo uma diferença na jornada semanal de 5,5 horas. O cálculo do rendimento médio por hora trabalhada indica que os condutores plataformizados (R$ 14,4/hora) tinham um rendimento-hora inferior ao dos não plataformizados (R$ 16,0/hora).

Observa-se que apenas 43,8% do total de condutores de automóveis, sejam eles plataformizados ou não, estavam cobertos por instituto de previdência em 2025. Entre os motoristas plataformizados, o percentual de contribuintes era ainda menor (25,5%), ao passo que 59,2% dos não plataformizados contribuíam para instituto de previdência.

Pequena parcela dos condutores de motocicletas plataformizados contribuíam para a previdênci

Quanto aos condutores de motocicletas no trabalho principal (vinculados a qualquer atividade), a PNAD Contínua estimou um contingente de 1,1 milhão de pessoas, em 2024, e 1,2 milhão, em 2025. Desse total, 34,4% (405 mil pessoas) realizavam trabalho por meio de aplicativos, enquanto 65,6% (774 mil) não o faziam em 2025.

Os condutores de motocicletas plataformizados (R$ 2 221) apresentaram um rendimento médio mensal 23,3% maior do que os não plataformizados (R$ 1 802). Parte dessa diferença pode ser explicada pela perspectiva da jornada de trabalho, visto que os plataformizados, em média, trabalhavam 3,8 horas semanais a mais que os não plataformizados, em 2025, 44,9 e 41,1 horas, nessa ordem. Entre os plataformizados, o rendimento médio por hora foi de R$ 11,4, valor 12,9% maior do que o rendimento médio por hora dos condutores de motocicletas não plataformizados, R$ 10,1.

Em relação à contribuição para instituto de previdência, verifica-se que apenas 19,4% dos condutores de motocicletas plataformizados eram contribuintes, percentual substancialmente menor que os 37,1% daqueles que não utilizavam essas plataformas.

Flexibilidade do trabalho é a principal motivação para quem trabalha em plataformas digitais

Em 2025, pela primeira vez na pesquisa, investigou-se o principal motivo para a pessoa exercer o seu trabalho por meio de plataformas digitais de serviços. Considerando o total de plataformizados no trabalho principal, observa-se que as três principais alegações, compreendendo mais de 70% desses trabalhadores, foram: por causa da flexibilidade (26,8%); por não conseguir encontrar outro trabalho (24,6%); e por considerar o rendimento maior do que em outros trabalhos disponíveis (20,8%). Em seguida, o motivo de complementar a renda foi apontado por 16,6%, enquanto apenas 4,0% afirmaram que escolheram trabalhar por plataformas digitais para melhorar suas habilidades, ganhar experiência ou expandir a rede de contatos profissionais. Por fim, 7,3% dos trabalhadores por aplicativo alegaram outros motivos.

Mais de 60% dos plataformizados trabalhavam somente por meio das plataformas digitais

Em 2025, o módulo passou a investigar a frequência de utilização da plataforma para o exercício do trabalho, com o objetivo de identificar se os trabalhadores plataformizados obtinham clientes e prestavam serviços exclusivamente ou não por meio dessas plataformas de serviço. Dentre os 1,8 milhão de plataformizados, 62,7% (1,1milhões) trabalhavam exclusivamente por meio dessas plataformas digitais. Por outro lado, 37,3% dos plataformizados conciliavam, em seu trabalho, o uso de aplicativos com outras formas de trabalhar.

No que diz respeito à quantidade de plataformas utilizadas, item também investigado pela primeira vez em 2025, observa-se que a grande maioria dos plataformizados (62,5%) trabalhava com apenas um aplicativo. Aqueles que recorriam a dois aplicativos somaram 30,0%, enquanto o uso de três ou mais aplicativos foi a realidade de apenas 7,5% desses profissionais

A combinação entre a quantidade de aplicativos utilizados e a frequência de uso revelou que 38,8% dos plataformizados trabalhavam de forma exclusiva e com apenas uma plataforma. Os dados evidenciam que os trabalhadores plataformizados, em geral, apresentam um elevado grau de dependência em relação a essas ferramentas, seja pela elevada frequência em seu uso para a obtenção de clientes e na prestação de serviços, seja pela baixa diversificação de plataformas utilizadas.

Maioria dos motoristas de transporte particular de passageiros destaca possibilidade de escolha de dias e horários para trabalhar

A PNAD Contínua também investigou como as plataformas digitais influenciam as jornadas de trabalho desses trabalhadores, abrangendo diferentes estratégias potencialmente empregadas pelas empresas, bem como a dependência deles em relação a essas plataformas.

Os dados de 2025 revelam que existia uma autonomia limitada para a maioria dos trabalhadores de plataformas digitais, embora o grau de dependência variasse significativamente segundo o tipo de aplicativo utilizado: motoristas de transporte particular de passageiros (exceto táxi) e entregadores apresentavam um grau mais elevado — especialmente no valor a ser recebido (80,2% e 78,3%, respectivamente, afirmaram que o valor era totalmente determinado pela plataforma), na escolha de clientes a serem atendidos e na forma de recebimento do pagamento (ambas superando 70% nos entregadores) —, enquanto os prestadores de serviços gerais ou profissionais registram a menor dependência em todas as categorias analisadas. Por fim, a fixação de prazos pelas plataformas é o aspecto com menor grau de dependência em geral, embora ainda afete mais da metade de certas categorias como entregadores e taxistas.

Entre os motoristas de transporte particular de passageiros, exceto táxi, em 2025, 81,1% afirmaram que a jornada de trabalho era influenciada pela possibilidade de escolha de dias e horários de forma independente; 56,3% apontaram influência por meio de incentivos, bônus ou promoções que mudam os preços; 28,1% mencionaram a sugestão de turnos e dias; e 25,3% eram influenciados pelas ameaças de punições ou bloqueios.

Incentivos, bônus ou promoções que mudam o preço influenciaram a jornada de mais da metade dos taxistas (50,1%) e de quase a metade dos entregadores (47,4%). Quanto às ameaças de punições ou bloqueios realizados pelas plataformas, a exemplo do observado no transporte particular de passageiros (exceto aplicativo de táxi), essas políticas também moldaram a rotina de mais de 20% dos taxistas e dos entregadores plataformizados.

Mais de 200 mil trabalhadores utilizavam plataforma de comércio para obter clientes e vender produtos

Em 2025, incluiu-se perguntas para investigar o uso de plataformas de comércio eletrônico no trabalho. O contingente de pessoas ocupadas como empregadores ou trabalhadores por conta própria na atividade de comércio, no trabalho principal, foi estimado, no último ano, em aproximadamente 5,0 milhões. Deste total, 210 mil trabalhadores (4,2%) utilizaram plataforma de comércio para obter clientes e vender produtos.

Mulheres são as que mais usam plataformas de comércio

Do total de trabalhadores que utilizavam plataformas de comércio eletrônico, 51,8% eram mulheres e 48,2% eram homens. Entre os “comerciantes” não plataformizados, as mulheres eram 49,6% e os homens, 50,4%.

Na análise por faixas etárias, percebe-se uma maior concentração de plataformizados nas faixas etárias mais jovens: 9,0% tinham entre 18 e 24 anos e 49,7% concentravam-se na faixa de 25 a 49 anos, enquanto apenas 4,0% eram idosos. Entre os não plataformizados, esses percentuais foram de 4,6%, 28,6% e 17,6%, respectivamente.

Em relação ao nível de instrução, os trabalhadores plataformizados apresentaram um nível educacional mais elevado. Dentre eles, 33,5% possuíam nível superior completo, 56,1% tinham nível médio completo ou superior incompleto, e apenas 3,7% não possuíam instrução ou tinham o ensino fundamental incompleto. Em contraste, entre os não plataformizados em atividades do comércio, 19,0% possuíam nível superior completo, 45,1% tinham nível médio completo ou superior incompleto, e 22,9% não possuíam instrução ou tinham o ensino fundamental incompleto.

Rendimento médio mensal dos “comerciantes” plataformizados foi 44,4% superior ao dos não plataformizados

Em relação à situação de informalidade, os dados indicaram que a informalidade era significativamente maior entre os não plataformizados, com 56,1% contra 35,4% dos plataformizados.

Em 2025, o rendimento médio mensal dos “comerciantes” plataformizados foi 44,4% superior ao dos não plataformizados, com valores de R$ 4 932 contra R$ 3 415. Entre esses dois grupos de ocupados em atividades do comercio, observa-se que os plataformizados trabalhavam, em média, 2,1 horas semanais a mais (41,5 horas) que os não plataformizados (39,4 horas).

No entanto, a maior parte das diferenças no rendimento entre os dois grupos não pode ser atribuída a diferenças nas horas trabalhadas, permanecendo disparidades evidentes ao se analisar o rendimento-hora. Enquanto o grupo plataformizado teve um rendimento por hora de R$ 27,4, o grupo não plataformizado teve um rendimento de R$ 19,8, resultando em uma diferença de 38,4%.

Quase 1/3 dos “comerciantes” plataformizados vendia seus produtos exclusivamente por meio de plataformas

Dentre os “comerciantes” plataformizados, estimou-se que 31,3% vendiam seus produtos exclusivamente por meio de plataformas de comércio eletrônico. Os demais utilizavam, também, outros meios de venda, sendo que 22,4% ainda priorizavam as plataformas digitais, enquanto 46,3% utilizavam mais outros meios, por exemplo, em atendimento presencial, por telefone, por meio de rede social, aplicativo de comunicação, site da própria empresa etc.

A pesquisa também investigou o grau de dependência dos comerciantes desses trabalhadores que exploravam o próprio negócio em atividades do comércio em relação à plataforma em três aspectos: prazo para entrega, forma de receber o pagamento e forma de entregar o produto. Quanto ao prazo para entrega, 29,4% dos “comerciantes” plataformizados relataram que era totalmente determinado pela plataforma, e 19,3% parcialmente. Em relação à forma de pagamento, 46,8% mencionaram uma dependência total, e 17,0% uma dependência parcial. Por fim, quanto à forma de entrega dos produtos, 43,2% afirmaram ser totalmente definida pela plataforma, e 23,1 parcialmente.

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