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ECONOMIA IPCA

Alta dos combustíveis já pressiona inflação para esse ano

Além do ambiente externo, que propicia a alta das commodities por causa da forte demanda chinesa, problemas internos dão um peso ainda maior para o movimento

03/03/2021 09h27
Por: Redação 2 Fonte: CNN BRASIL
Alta dos combustíveis já pressiona inflação para esse ano

O reajuste de preço dos combustíveis já vem dando suas caras na inflação. Por exemplo, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerado uma prévia da inflação, subiu 0,48% em fevereiro. Segundo o IBGE, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis apresentaram alta no mês, e o maior impacto foi do grupo Transportes (1,1%).

Essa tendência tem tudo para continuar. Já no primeiro dia de março, a Petrobras voltou a reajustar os preços dos combustíveis nas refinarias. Segundo as contas de André Perfeito, economista-chefe da Necton, isso representará, no curto prazo, "uma nova pressão de pelo menos 0,2%" sobre o IPCA, que mede a inflação no país.

Álvaro Frasson, economista do BTG Pactual Digital, explica que o mercado até esperava uma alta da inflação no primeiro semestre, atingindo um patamar de 6% a 6,5% em 12 meses, por causa da reabertura das economias ao redor do mundo. A dúvida, agora, é se esse valor cairá no final do ano.

"Já se esperava um avanço da inflação até junho, julho. Mas os indicadores estão surpreendendo e o mercado não tem mais tanta certeza que o indicador vai cair até o final do ano", explica. O BTG corrigiu sua projeção do IPCA para 4,1% no ano, assim como Necton e Ativa.

A projeção do Boletim Focus também subiu, para 3,87%. Essa foi a oitava alta consecutiva na estimativa do índice. Há uma semana era de 3,82% e há um mês, de 3,53%. 

Dólar também afeta preço dos combustíveis

O preço dos combustíveis varia, principalmente, de acordo com duas grandes variáveis: o valor do barril de petróleo e, por ser uma commodity negociada internacionalmente, o valor do dólar. Além do ambiente externo, que propicia a alta das commodities por causa da forte demanda chinesa, problemas internos dão um peso ainda maior para o movimento.

A intervenção do governo na Petrobras, por exemplo, deixou os investidores de cabelos em pé. "A emenda ficou pior do que o soneto", diz André Perfeito, economista-chefe da Necton. O que acontece: a instabilidade enfraquece o real e, como o petróleo tem lastro em dólar, essa diferença de preços aumenta mais. 

A alta do dólar não tem dado folgas para o mercado nacional neste início de 2021. Nesta terça-feira (2), por exemplo, a moeda voltou a operar acima dos R$ 5,70, valor próximo ao recorde histórico registrado pela divisa durante a crise do ano passado.

"O reajuste do dia 1º pode impactar a inflação em março, mas os recentes ganhos da moeda americana já criaram uma defasagem de outros 10% nos preços [dos combustíveis no Brasil] em relação ao mercado internacional", diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, indicando que um problema retroalimenta o outro.

Nessa linha, Frasson, do BTG, diz que uma pequena parte da desvalorização cambial que vivemos é fruto de uma valorização dos títulos do tesouro americanos, o que enfraquece os mercados emergentes, mas que o grande problema para os investidores tem sido a indefinição fiscal e os ruídos políticos no Brasil.

Futuro da Petrobras

Para corrigir a distorção, o mercado vê como urgente uma solução de longo prazo para a atuação da estatal. O problema é como isso será feito. Sanchez entende que, antes de qualquer coisa, é preciso que se resolva o problema de comunicação existente entre governo e sociedade civil.

Perfeito, da Necton, reforça o sentimento. "Até senti que este novo aumento foi uma resposta do conselho de administração da companhia ao presidente, tentando passar uma ideia de normalidade para o mercado", diz. "Mas a indicação já foi feita, agora precisamos entender o que vai mudar na prática."

Mais profundamente, ele também afirma que este é um bom momento para que se discuta o papel da Petrobras enquanto empresa estatal. O economista defende que não se pode mudar a política da empresa "de 8 para 80 a cada três anos". 

"O PT controlava preços e a Petrobras até cresceu, apesar dos problemas conhecidos. Aí veio a Lava Jato e uma nova gestão, que liberou tudo de uma vez", relembra. "Até o Temer precisou demitir o Pedro Parente, porque tinha reajuste toda semana. É um preço chave na economia, precisa discutir direito."

Por conta disso, acredita que o caminho a se seguir é algo na linha de um fundo estabilizador de preços, que não repassa as altas e nem reajusta para baixo as quedas, a partir de um patamar pré-estabelecido. Frasson, por outro lado, diz que qualquer intervenção seria resolver um problema criando outro.

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