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JURÍDICAS OPERAÇÃO MERCENÁRIOS

Paccola diz que há inúmeras armas registradas com dados falsos em MT e que regularizou até para comandante-geral

Tenente-coronel foi interrogado em ação penal decorrente da Operação Mercenários que denunciou militares por participação em grupo de extermínio

29/04/2021 12h46 Atualizada há 5 dias
Por: Alexandre Aprá
Tenente-coronel Paccola foi interrogado por meio de conferência remota no dia 22 de fevereiro
Tenente-coronel Paccola foi interrogado por meio de conferência remota no dia 22 de fevereiro

O vereador por Cuiabá, tenente-coronel Marcos Eduardo Ticianel Paccola (Cidadania), foi interrogado pela Justiça Militar de Cuiabá em uma ação penal movida pelo Ministério Público que acusa ele e outros quatro militares de participarem de um grupo de extermínio.

O Isso É Notícia teve acesso à íntegra do interrogatório onde Paccola revela que a Polícia Militar de Mato Grosso regulariza armas através de seu próprio sistema de patrimônio sem critérios rígidos por meio de um "processo de anistia" feito apenas com uma declaração de responsabilidade do proponente e citou, inclusive, que já realizou o mesmo procedimento até para o atual comandante-geral da PM, coronel Jonildo José de Assis.

A investigação se tornou pública após a deflagração da Operação Mercenários, em 2019, pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual de Mato Grosso.

O interrogatório aconteceu no dia 22 de fevereiro passado de forma remota. Participaram, além de Paccola, o conselho de sentença da Justiça - formado por três militares-, o juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, e o promotor de Justiça, Marcos Regenold.

O militar é acusado pelo MP de registrar e depois alterar o registro de uma arma que teria sido utilizado por outro militar para realizar execuções que seriam decididas por um grupo de extermínio que existiria dentro da PM-MT.

Coronel Assis, comandante-geral da PM, teve arma pessoal regularizada por "anistia"

Registro errado de arma

À Justiça, Paccola reconheceu ter errado o preenchimento de um campo na regularização de uma arma Glock do militar que é acusado pelo MP de realizar as execuções. No entanto, ele afirmou que trata-se de um "erro formal".

Este erro possibilitou, no entanto, que a arma do militar fosse regularizada mesmo com um boletim de ocorrência registrada em desfavor da arma.

Paccola revelou que a regularização de armas é um procedimento corriqueiro realizado pela Salp, a Superintendência de Logística e Patrimônio da PMMT.

Paccola reconhece que invadiu sistema e alterou registro para ajudar colega

O tenente-coronel também admitiu ter acessado o sistema da Salp depois já ter sido exonerado do cargo que ocupava no órgão de patrimônio da PM. À época, ele contou que usou a senha de um colega militar e realizou mudanças no sistema de registro da arma enquanto ocupava o cargo de coordenador militar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Ele teria alterado o registro da arma como se ela pertencesse ao Estado de Mato Grosso e não mais à pessoa física do seu colega militar.

Esse foi o motivo que levou a Justiça a decretar a prisão dele após a deflagração da operação.

Ele, todavia, garante que realizou o ato com o intuito de ajudar o colega militar que estava sendo acusado pelas execuções e que não teve a intenção de cometer crime ou atrapalhar as investigações que já estavam em andamento à época.

Paccola negou taxativamente ter participado de qualquer organização criminosa e classificou a denúncia contra ele como "bizarra".

Há inúmeras armas de policiais registradas com dados que não são verdadeiros, diz Paccola

Em uma parte do interrogatório, Paccola também revelou que há inúmeras armas de policiais que, segundo ele, tem "registros verdadeiros, mas com dados que não são verdadeiros". Isso, segundo ele, se explica por conta da existência de dois sistemas diferentes da Polícia Militar e do Exército.

Ele citou, por exemplo, que à época que estava na Salp havia 77 processos cujas armas estavam registradas com nomes de diferentes entre os sistemas da PM e do Exército e que ele estava tentando regularizar a situação.

O militar também explicou que o processo de regularização das armas pela PM segue uma regulamentação de 2008 emitida pelo Governo Federal que dava dois anos de prazo para regularização das armas.

Nesse momento que nós estamos falando de dados falsos, de documento, inserção de dados falsos ou qualquer coisa do gênero, nós podemos dizer que tem inúmeros policiais que hoje estão com o registro que é verdadeiro, emitido pela Polícia Militar, mas que os dados que estão nele ali não são dados verdadeiros, já que o proprietário no Sigma é o proprietário anterior e eu tenho uma lista de 77 armas da época que eu estava que nós estávamos tentando resolver, regularizar para os policiais que estavam com essa inconsistência de propriedade

Confira o vídeo com a íntegra do depoimento e a nota emitida pela assessoria do vereador:

Nota - Vereador tenente-coronel Paccola by Alexandre Aprá on Scribd

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ALEXANDRE APRÁ
Sobre ALEXANDRE APRÁ
Jornalista, diretor do Isso É Notícia
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Atualizado às 10h42 - Fonte: Climatempo
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