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OPINIÃO GIAN FRANCO BALDO

O Largo do Rosário

O Largo do Rosário, uma vergonha aos olhos da Cuiabania

01/05/2021 08h42
Por: Redação 2 Fonte: GIAN FRANCO BALDO
O Largo do Rosário

Localizada no centro da capital do estado de Mato Grosso, mais precisamente entre a Avenida da Prainha e a avenida Coronel Escolástico, e conhecida popularmente como “Ilha da Banana”, o Largo do Rosário possui grande representatividade para o povo cuiabano, especialmente por ser pertencente a uma região onde tudo começou.

Com as desapropriações realizadas no ano de 2013 para as obras do VLT, os cuiabanos não poderiam imaginar o que estaria por vir.

Após as desapropriações, a região que abrigava alguns poucos imóveis, passou a servir como um verdadeiro depósito de lixo a céu aberto e abrigo para pessoas em situação de rua que além de utilizarem do local como moradia, também servia como esconderijo para delinquentes que cometiam pequenos furtos na região.

 Localizada entre a Igreja do Rosário e o Morro da Luz, o local passou a ser um foco de ocorrências policiais das mais diversas naturezas, entre furtos, abusos e até homicídios, contrastando com a paisagem bucólica dos jardins das escadarias da Igreja. Diante do cenário caótico que se estabelecia, três anos após as desapropriações, o local que reúne uma ligação histórica com o começo da urbanização da capital, finalmente viu as ruínas das casas e prédios serem demolidos e com ela a possibilidade de que o local deixaria de ser um ponto de abrigo de pessoas em situação de rua, o que não ocorreu.

A poucos metros dali temos o Morro da Luz, que há muitos anos deixou de ser um ponto de visitação dos cuiabanos, e que contraditoriamente o que menos tem no seu atual momento é luz.

O antigo ponto turístico da capital, tornou-se um ponto de comercialização e uso de drogas, prática de obscenidades e esconderijo de pessoas mal intencionadas, além de uma grande pedra no sapato das administrações públicas que não sabem como resolver tal imbróglio que já se arrasta por décadas. As sugestões por parte dos cuiabanos são inúmeras, como fechar completamente o morro entre muros, ou fazer do local um parque de visitação com segurança e acessos controlados, entre outros.

Já para a Ilha da Banana, dentre as ideias uma delas seria a criação de uma grande praça com espaços de lazer, ou a implantação de alguma base de segurança pública.

Os cuiabanos e turistas que passam pelo local, notam que a insegurança e os espaços abandonados destoam da importância que o local tem para a cidade e que infelizmente acabam por manchar uma história.

O local que concentra valores históricos importantes para a cidade, requer atenção não apenas no sentido de revitalizar o local, mas também de trazer o assistencialismo necessário para as pessoas que neste momento vivem ali. Parcerias público privadas poderiam surgir como opção de exploração do local, com a implantação de  um mini parque de visitação com chafarizes, marquises e áreas de contemplação, e quiçá com espaços de culinária típica, mirantes, ou mini museus.

O que Cuiabá precisa para o momento, além das propagandas bonitas de aniversário da cidade na TV, são ações efetivas que façam valorizar sua história local, fomentar o turismo e fortalecer o comércio regional. E por que não começar pelo nosso começo? Essa é uma ferida que pede para ser cicatrizada e que sangra tristemente  aos olhos da nossa cuiabania.

Gian Franco Cardoso Baldo é investigador de polícia.

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