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Maierovitch defende que militares não deveriam comandar Saúde na pandemia

O sanitarista e ex-presidente da Anvisa Cláudio Maierovitch é ouvido na CPI da Covid como convidado nesta sexta; Microbiologista e pesquisadora da USP Natalia Pasternak também é ouvida hoje

11/06/2021 11h43
Por: Redação 2 Fonte: FOLHAPRESS
Maierovitch defende que militares não deveriam comandar Saúde na pandemia

O sanitarista e ex-presidente da Anvisa Cláudio Maierovitch ouvido como convidado nesta sexta-feira, 11, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, defendeu que os militares não deveriam estar em postos de comando do Ministério da Saúde durante uma pandemia.

"É muito diferente uma experiência no campo militar, que pode ser extremamente complexa, não conheço, para levar suprimentos pra tropas, pra deslocar equipamentos, deslocar armas, de uma experiência no campo da saúde pública. Eu não me atreveria, apesar de ter uma experiência longa experiência, de mais de trinta e cinco anos, na saúde pública, não me atreveria a fazer uma gestão de suprimento militar em momento de guerra. Acho que as pessoas que não tem a experiência de trabalhar em momento de epidemia, em momento de crise sanitária, não deveriam ser encarregadas de tomar decisão e comandar as operações neste caso", defendeu o sanitarista.

E completou: "Não é assunto para amador, para quem nunca fez isso na vida. Muitas vezes, decisões que tem que ser tomadas instantaneamente. Senão tomadas implica na falência do programa [de imunização]. Nós só temos programas de imunização pujantes no Brasil porque temos pessoas capazes de fazer isso. Infelizmente, uma quantidade de pessoas capazes tem se reduzido na estrutura do Ministério da Saúde", declarou. Assista ao vivo:

 

Maierovitch também destacou a importância de haver um planejamento macro para o Brasil enfrentar a pandemia da Covid-19, obtendo melhores resultados.

"O plano deve prever a organização, de que maneira o sistema de saúde deve funcionar para responder à pandemia. Um plano, naturalmente, tem que conter um planejamento em relação a insumos. Aquilo que a gente assistiu: 'falta oxigênio, falta kit de intubação, falta profissionais, etc'. Vai faltar tudo se não houver um plano", afirmou Maierovitch.

O sanitarista ainda comentou sobre a ideia de "imunidade de rebanho", fazendo uma crítica não apenas à ideia de imunizar a população pela doença, sem vacina, mas também ao próprio termo, que faz referência a animais . 

Por sua vez, a pesquisadora Natalia Pasternak iniciou seu depoimento defendendo as evidências científicas e se posicionando contra o negacionismo.

"Não se trata de ignorância inocente. É mentir em nome de uma agenda política ou ideológica. Ou encontrar desculpas para não fazer nada. Quando Jair Bolsonaro nega a pandemia, nega a ciência, e nega o direito à vida dos brasileiros, nega consensos científicas e nega direitos humanos. Mente. Negacionismo é a propagação intenção da mentira. E não devemos permitir que negacionistas ocupem posições de poder", afirmou a pesquisadora no final de sua fala, antes das perguntas, ao se apresentar aos senadores.

A pesquisadora acusou o Governo Federal e o Ministério da Saúde de orquestrarem o negacionismo, sendo responsáveis por mortes no Brasil durante a pandemia da Covid-19.

Sobre o uso do "kit covid" para o "tratamento precoce", a microbiologista destacou que é um problema que de gasto de dinheiro público sem melhorias para a população, já que os medicamentos [cloroquina, azitromicina e outros] enviados aos municípios não possuem eficácia comprovada contra Covid-19 .

Pasternak destacou que a ciência não é uma verdade absoluta, mas que deve estar sendo verificada o tempo todo. "Ciência não é uma questão de opinião. Não é como eu enxergo versus o que você enxerga. Não é uma visão do mundo. Alguém desenhou um número no chão, ou é seis ou é nove. Não é como eu vejo, é o que desenharam. E para descobrir o que desenharam, a gente usa um método".

Natalia Pasternak tornou-se figura pública relevante desde o início da pandemia da covid-19. Em julho de 2020, publicou um artigo afirmando que havia evidências científicas de que o tratamento precoce não era eficaz contra a doença. No mesmo mês, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, emitiu uma nota promovendo o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, baseando-se, nas palavras de Pasternak, em "evidências fracas".

Pasternak e Maierovitch são especialistas favoráveis às medidas de distanciamento social e ao uso de máscaras - bem como defensores das vacinas e contrários a recomendação de remédios sem comprovação científica.

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