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Em live, Bolsonaro não prova ‘fraude’ em eleições; TSE rebate as fake news

Com popularidade em queda e atrás nas pesquisas de intenção de voto para 2022, o presidente dobra a aposta no enfrentamento às instituições

30/07/2021 às 14h19 Atualizada em 31/07/2021 às 10h17
Por: Redação 3 Fonte: CARTA CAPITAL
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Em live, Bolsonaro não prova ‘fraude’ em eleições; TSE rebate as fake news

Em transmissão ao vivo nesta quinta-feira 29, o presidente Jair Bolsonaro exibiu o que chamou de “indícios” de que o sistema eleitoral brasileiro seria fraudulento. O conteúdo apresentado, no entanto, foi rebatido simultaneamente pelo Tribunal Superior Eleitoral nas redes sociais.

Inicialmente, Bolsonaro disse que a apuração do TSE é feita de forma secreta e deveria ser pública. A Corte Eleitoral desmente e diz que a própria urna eletrônica faz a apuração automática, em um processo público e auditável, e os dados, criptografados, são transmitidos ao TSE para checagem de autenticidade.

O TSE também rebateu a afirmação de que somente Brasil, Bangladesh e Butão realizam eleições apenas com urnas eletrônicas, sem a impressão posterior do voto. O TSE informou que, na verdade, 46 países usam urnas eletrônicas em suas eleições e, desses, 16 adotam máquinas de votação eletrônica de gravação direta, sem qualquer interação com cédulas de papel.

 

Em seguida, Bolsonaro apresentou um vídeo em que um suposto programador sustenta que há facilidade em fraudar a contagem da urna eletrônica, inserindo padrões de registro de voto no código-fonte a cada intervalo determinado de votos. O homem diz que é possível, por exemplo, que o voto em um candidato seja contado para outro ou contabilizado como nulo. Também alegaque é possível que um candidato seja favorecido, caso a urna seja programada para exibir sua foto com a digitação de apenas um número.

O TSE diz que não reconhece o simulador utilizado no vídeo e informa que as acusações já foram desmentidas. Segundo o tribunal, a urna não tem possibilidade de “autocompletar” o voto, nem creditar a um o voto que iria para outro. Tudo isso pode ser comprovado com a auditoria paralela, diz o TSE, que tem funcionamento explicado em um site específico sobre a segurança eleitoral.

De acordo com a Corte, há uma série de ferramentas para garantir a integridade das urnas, entre elas:

  • Auditorias pré e pós-eleição;
  • Auditoria dos códigos-fonte;
  • Lacração dos sistemas, assinatura digital e publicação do resumo digital (hash);
  • Tabela de correspondência;
  • Lacres físicos;
  • Identificação biométrica do eleitor;
  • Votação Paralela;
  • Oficialização de sistemas;
  • Registro Digital do Voto (RDV);
  • Log da urna eletrônica.

O TSE também declarou que os vídeos que circularam em 2018, com depoimentos de violação no registro dos votos, são oriundos de montagem ou de confusão do próprio eleitor, uma vez que as queixas não foram comprovadas.

Bolsonaro exibiu ainda reportagens antigas que relatavam supostas fraudes em eleições ocorridas em 2004, em Guarulhos (SP), e em 2008, em Caxias (MA). O primeiro caso diz respeito a um candidato a vereador pelo PRTB, Antônio D’Agostino, que não foi eleito e se queixou de fraude. O TSE diz que as alegações se basearam em informações falsas e que os dados utilizados já foram esclarecidos pelo Repositório de Dados Eleitorais.

O segundo caso está relacionado a depoimentos de dois técnicos, contratados por uma determinada coligação, que disseram ter encontrado indícios de fraude. Porém, uma perícia da Polícia Federal verificou os equipamentos e não identificou quaisquer sinais de violação.

Com a popularidade em queda nas pesquisas para 2022, Bolsonaro tem usado a defesa do voto impresso e a acusação de fraude para justificar eventual derrota e ameaçar o TSE com uma reação de apoiadores organizados. Em uma série de declarações neste ano, o presidente sinaliza que seus eleitores não permitiriam um revés na votação.

Recentemente, o jornal O Estado de S. Paulo veiculou reportagem que relatou pressão do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, contra a Câmara dos Deputados, com a ameaça de que a próxima eleição pode ser suspensa caso os parlamentares não aprovem o voto impresso.

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