Sexta, 24 de Setembro de 2021
30°

Tempo aberto

Cuiabá - MT

POLÍTICA CONFIRA

Debate sobre VLT x BRT: Especialistas avaliam vantagens e desvantagens de cada modal

Em dezembro do ano passado, o governador Mauro Mendes (DEM) decidiu pela troca de modal do VLT pelo BRT, o que gerou polêmica.

01/08/2021 às 10h59
Por: Redação 2 Fonte: G1 MT
Compartilhe:
Debate sobre VLT x BRT: Especialistas avaliam vantagens e desvantagens de cada modal

Na estreia do quadro "Primeira Página Debate", na Centro América FM, nesta terça-feira (27), o economista e coordenador do Movimento Pró-VLT, Vicente Vuolo, e o professor da Universidade Federal de Mato Grosso e doutor em tráfego, Luiz Miguel de Miranda, avaliaram as vantagens e desvantagens na escolha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ou do BRT (Buss Rapid Transit).

Em dezembro do ano passado, o governador Mauro Mendes (DEM) decidiu pela troca de modal do VLT pelo BRT, o que gerou polêmica. As entidades nacionais rechaçaram qualquer viabilidade técnica na implantação do BRT até 2024 e citam, entre outras coisas, novas desapropriações e caos no trânsito.

Para o professor Luiz Miguel os estudos feitos pela UFMT em parceria com a UFRJ apontaram que o BRT é a melhor escolha para Cuiabá e Várzea Grande.

“Com os dados levantados, vimos que a demanda que a gente teria para a Copa de 2014 seria compatível para o BRT. A troca pelo VLT foi uma troca mal explicada, porque ninguém conseguiu entender”, pontuou.

Em contrapartida, o economista Vicente diz que é inaceitável deixar a obra do VLT de lado para implantar um novo modal.

“O governador perdeu uma grande oportunidade de corrigir o erro de 2014. É uma vexame, uma vergonha internacional. O VLT é a única solução técnica, econômica e institucional para Cuiabá e Várzea Grande”, disse.

De acordo com o economista, foram investidos R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 193 milhões estão parados na conta e podem ser aproveitados na retomada da obra.

“Foram investidos R$ 700 milhões no centro de controle e operação em Várzea Grande, foram comprados 40 trens, 280 vagões, computadores, subestações, cabos de energia e tem trilhos estocados para expandir o VLT em mais 70 km. Além disso, foram gastos com obras de infraestrutura com os viadutos”, explicou.

O professor da UFMT afirmou que no caso da troca para o BRT toda essa estrutura já construída para VLT será aproveitada.

“O que começou errado, vai terminar errado. No caso do BRT proposto, toda a infraestrutura que já foi projetada e construída será aproveitada. Trilhos para passageiro em cidade com menos de 2 milhões de habitantes, é dinheiro jogado fora, pois fica com um investimento que não se paga em menos de 30 anos”, avaliou.

Por outro lado, o economista defende que, conforme o projeto apresentado pelo engenheiro José Picolli Neto, não seria necessário aplicar mais dinheiro público, pois há propostas de Parceria Público Privada (PPP).

“Com a parceria, não é mais necessário usar o dinheiro público, Esses R$ 193 milhões parados na conta seriam usados para termina-se a primeira etapa Aeroporto/Centro, que em seis meses estaria pronto. É muito mais rápido e mais barato terminar o VLT. Precisamos priorizar. Precisamos evoluir”, disse.

Já o professor disse que, a longo prazo, o investimento não compensa.

“Queria saber como será para manter um sistema que foi implantado errado. Transportar exemplos de cidades europeias para Cuiabá é um equívoco. Infelizmente, vamos ter que pagar a conta, mas com o BRT o prejuízo será menor”, pontuou.

BRT x VLT

A decisão do governador em pedir a substituição levou em conta estudos técnicos elaborados pelo estado e pelo Grupo Técnico criado na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana. Os estudos concluíram que a continuidade das obras do VLT era “insustentável”, demoraria mais seis anos para conclusão.

O estudo apontou diversos riscos na hipótese de implantação do VLT, segundo o governo. Um deles é o valor da tarifa, que ficou orçada em R$ 5,28, montante muito superior ao do transporte coletivo praticado na Baixada Cuiabana, que é de R$ 4,10.

Já na hipótese de instalação do BRT, a tarifa ficaria na faixa de R$ 3,04.

Outro revés do VLT estaria no subsídio que o Governo de Mato Grosso teria que pagar para que o modal funcionasse: R$ 23,2 milhões por ano.

Com o BRT, a estimativa é que a implantação ocorra em até 22 meses, a partir da assinatura da ordem de serviço para início das obras.

O custo de implantação também é consideravelmente menor. Enquanto o VLT consumiria mais R$ 763 milhões, além do R$ 1,08 bilhão já pago, o BRT está orçado em R$ 430 milhões, já com a aquisição de 54 ônibus elétricos. O Governo de Mato Grosso também vai ajuizar uma ação contra o Consórcio para que as empresas que o integram paguem R$ 676 milhões pelos danos causados.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.