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Ribeirinho condena instalação de usinas no Rio Cuiabá: "Vai acabar com o Pantanal"

"As pessoas não cuidaram dos esgotos, não fizeram o que tinha que fazer e acabaram com o rio. Precisa evoluir, crescer, gerar renda sim, mas não a esse custo”, disse Zezinho

01/08/2021 às 11h57 Atualizada em 02/08/2021 às 10h10
Por: Redação 2 Fonte: REDAÇÃO FOLHAMAX
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Ribeirinho condena instalação de usinas no Rio Cuiabá:

A possibilidade de construção de usinas hidrelétricas no leito do Rio Cuiabá tem despertado a preocupação da comunidade ribeirinha. Um deles é José Duarte, conhecido como Zezinho, ribeirinho de Barão de Melgaço que viveu a infância às margens do rio.

“Me lembro muito bem, vivi minha infância na beira do Rio Cuiabá, a gente tomava água do rio sem filtrar e acabaram com rio. As pessoas não cuidaram dos esgotos, não fizeram o que tinha que fazer e acabaram com o rio. Precisa evoluir, crescer, gerar renda sim, mas não a esse custo”, disse Zezinho.

O ribeirinho não aprova a ideia e destaca que a implantação das de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) pode piorar a qualidade da água e diminuir a quantidade de peixes no rio.

“Eu não sei de quem é a ideia, o projeto e a que fim está ai. Mas, essa é a maior tragédia. O Rio Cuiabá já está capenga por causa dos esgotos de Cuiabá e Várzea Grande. Mas, se fizerem essas PCHs, já não tem peixes no rio Cuiabá, se fizerem isso acabou o Pantanal", conta.

Para o ribeirinho, outras alternativas precisam ser apresentadas pelos grupos econômicos preocupados em gerar energia. "Acho que há necessidade sim de buscar alternativas energéticas, mas existem alternativas que não precisem acabar com o Rio Cuiabá assim. Não sou técnico, mas acho que o declive do rio não da para fazer essas usinas. Então, acredito que isso não deve prosperar”, acrescentou José.

LIMINAR

No começo do mês, o Ministério Público Estadual (MPE) obteve liminar na Justiça que determinou a suspensão imediata da análise e aprovação de processos de licenciamento ambiental e da emissão de outorgas para operação de PCHs em toda a bacia do Rio Cuiabá. A medida deverá se estender até que seja estabelecido estudo detalhado junto à Agência Nacional de Águas (ANA) sobre o tema. 

A determinação judicial foi proferida nos autos de uma Ação Civil Pública que requereu a adoção de medidas urgentes para salvar as baías Chacororé e Siá Mariana, localizadas na região do Pantanal.

A Justiça estabeleceu também o prazo de 20 dias para que o Estado de Mato Grosso apresente plano de ação de curto, médio e longo prazos (com prazos específicos) com vistas à resolução, concreta e continuada, das questões relacionadas à redução no volume de água das duas baías.

 
 
 
 
 
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