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OPINIÃO ENOCK CAVALCANTI

Toda esta porralouquice em que Antônio Galvan se envolveu expõe Aprosoja como entidade golpista

Acontece que empresários da soja, estariam financiando, segundo o Serjao, uma mobilização de bolsonaristas em Brasília em prol do voto impresso, proposta defendida por Jair Bolsonaro e que foi, recentemente, derrotada na Câmara

21/08/2021 às 14h31
Por: Redação 2 Fonte: ENOCK CAVALCANTI
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Toda esta porralouquice em que Antônio Galvan se envolveu expõe Aprosoja como entidade golpista

Depois de Zé Medeiros e Nelson Barbudo, Mato Grosso produziu aparentemente mais um talibã, para nos envergonhar diante do Brasil e do mundo. Trata-se do ruralista e líder da Aprosoja Brasil Antônio Galvan, que vem lá do Nortão de Mato Grosso e que tem espantado as pessoas minimamente racionais com as porra-louquices em  que é capaz de envolver e que estão fartamente documentadas nas redes sociais.

Esta semana vimos o Sr. Galvan, com sua cabeleira branca,  ao lado do sertanejo Sérgio Reis nos videos que percorreram o Brasil, anunciando para 7 de setembro um feroz ataque dos apoiadores do presidente capetão Bolsonaro contra os ministros do Supremo Tribunal Federal em Brasília.

Em uma de suas bravatas, Serjão Reis, que apareceu pontificando ao lado do Antonio Galvan, contava a uma pessoa identificada como Marcelão ( certamente não é o Marcelão do gabinete do deputado estadual Wilson Santos, porque esse Marcelao é um bom rapaz),  sobre um golpe em preparação. Acontece que empresários da soja, estariam financiando, segundo o Serjao, uma mobilização de bolsonaristas em Brasília em prol do voto impresso, proposta defendida por Jair Bolsonaro e que foi, recentemente, derrotada na Câmara. Na gravação, Sérgio Reis afirma que almoçou e teve reunião com o presidente Bolsonaro e “todos os ministérios, ministro da Defesa, generais do Exército, Marinha e Aeronáutica”, como se todos estes, além do Antonio Galvan, o estivessem respaldando.

Em seu delírio irresponsável, o sertanejo disse ainda que pretende ir pessoalmente ao Senado, no dia 8 de setembro, acompanhado de empresários da soja e lideranças dos caminhoneiros para entregar um documento ao senador Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, solicitando a aprovação imediata do voto impresso e a destituição de todos os ministros do STF.

Os golpistas iriam entregar então a Pacheco “uma intimação” em que estaria descrito que “vocês tem 72 horas pra aprovar o voto impresso e para tirar todos os ministros do STF”.“Não é um pedido, é uma ordem. Assim que vou falar com o presidente do Senado”, garganteou o gigantesco sertanejo.

 “Enquanto o Senado não tomar essa posição que nós mandamos fazer, vamos ficar em Brasília e não saímos de lá até isso acontecer. E, se em 30 dias não tirarem aqueles caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra”, disparou Sérgio, sob aplausos de seus companheiros de trama. Aplausos! Aplausos!

Essas ameaças todas, assim que se tornaram conhecidas, provocaram espanto e revolta por todo o País. Até o MPF, do sr. Augusto Aras, já denunciado por prevaricação por passar sempre o pano para Bolsonaro e seu gado, já abriu investigação contra Sérgio Reis, e, nessa sexta-feira, 20 de agosto, a PF já está cumprindo mandatos de busca e apreensão contra o sertanejo e outros possíveis golpistas.

Ainda desfocado nas investigações da imprensa e da Policia Federal, o presidente da Aprosoja Antonio Galvan já provocou no entanto, o protesto de outras lideranças do setor da soja, como o ex-governador e ministro Blairo Maggi, que acusou Galvan de extrapolar suas atribuições e expor criminosamente a Aprosoja e seus afiliados, ao se envolver tão abertamente, com sua cabeleira branca, nessa sórdida trama. Maggi disse que uma paralisação de caminhoneiros, como desenhada pelos golpistas,  seria "uma tragédia" e colocaria o Brasil "de joelhos" .

A própria Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), que até então não tinha se manifestado, agora nega que esteja financiando o protesto, conforme divulgou Mônica Bérgamo, na Folha de S.Paulo.

Em nota, a Aprosoja afirmou que “sempre defendeu de forma peremptória o Estado Democrático de Direito e o equilíbrio entre os Poderes da República e continuará a ter a mesma postura republicana”. Quer dizer, a Aprosoja fazendo um discurso bem diferenciado do discurso do cabeleira branca Galvan.

Basta parar para ouvir as falas do sr. Galvan, muitas delas disponíveis nas redes, para perceber que ele está longe de ser um inocente útil. Na verdade, ele se apresenta como um bolsonarista ativo,  que defende, tal qual Nelson Barbudo, Zé Medeiros, Gilberto Cattani, Dilemário Alencar, Abilio Jr  e outros xiitas do movimento, em Mato Grosso, todas as mais irresponsáveis bandeiras do bolsonarismo, achando que está sendo um patriota e defensor da familia e da nação brasileira e também dos bons costumes. Enfim, um líder ruralista, ao meu ver, longe do equilibrio demonstrado pela Aprosoja em sua nota e por Blairo Maggi, em suas manifestaçoes. Um lider ruralista contaminado pelo pior do atual golpismo que se espalhou pelo País, incentivado pelo discurso da famiglia Bolsonaro.

Agindo desse jeito, Antônio Galvan não tem mais condições, ao que me parece, de continuar falando pelos sojicultores, tão importantes para a economia do Brasil, se é que eles se pretendem donos de um mínimo de racionalidade. Tá na hora de decretar seu impeachment e afastá-lo do comando dessa entidade tão importante como é Aprosoja que, aqui em Mato grosso, ao que me lembre, tem em sua equipe de consultores, a jornalista Camila Bini, uma pessoa que sempre me pareceu muito equilibrada. Não se pode confundir Camila Bini com Onofre Ribeiro, aprendi com o tempo.

Lembro que conheci o Sr. Antonio Galvan pelas mãos do empresário e pecuarista Jorge Pires de Miranda, naquela fase em que Galvan lutava para superar o grupo do Carlos Fávaro e do Rui Prado na disputa pelo poder na Famato e outras entidades ruralistas de Mato Grosso. Depois de tentar e perder algumas vezes, Galvan acabou vencendo e hoje subiu ao poder maior da Aprosoja no Brasil. Só que anda fazendo um papelão que, imagino, deve estar envergonhando Jorge Pires de Miranda e outros que apostaram as suas fichas nele, como pretenso líder da renovação.

Seria bom que o Jorge Pires, que também é um cidadao equilibrado, desse um alerta nesta sua cria que desandou, parecendo um feroz touro descontrolado no pasto, a bufar contra as instituições democráticas.

 Toda esta porralouquice precisa parar. Que pela menos entidades como a Aprosoja não se envolvam naquilo que o escritor Jorge Cortazar definia como bestiário. Já pensou se se confirma o financiamento da Aprosoja às diatribes golpistas do sertanejo Sérgio Reis?!  Por mais que Augusto Aras bote o galho dentro, as investigações da PF já estão em andamento. A entidade dos sojicultores brasileiros não pode deixar que a transformem em uma Klu Klux Kan dentro do Brasil. Como entidade plural deve reunir produtores rurais das mais diverss tendências de pensamento. Então, não pode ser usada como um bunker bolsonarista e golpista por quem não tem o mínimo de controle emocional e parece ter optado pelo que existe de mais delirante na política do Brasil.

Antônio Galvan, como diria o Antônio Pagot, parece que está  mal informado, mal assessorado ou mal intencionado.

Chega! Basta! Não dá mais! Impeachmente de Antonio Galvan Já!

Enock Cavalcanti, 68, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, em Cuiabá MT, desde 2009.

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