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Após sobrevoo, hackers expõem dados de coronel e diretora de escola

Grupo Anonymous divulgou dados de Juliano Chiroli e Marluce Almeida

10/09/2021 às 10h02 Atualizada em 10/09/2021 às 17h52
Por: Redação 2 Fonte: REDAÇÃO FOLHAMAX
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Após sobrevoo, hackers expõem dados de coronel e diretora de escola

Por causa do episódio envolvendo o voo rasante de um helicóptero no pátio do Colégio Notre Dame de Lourdes, em Cuiabá, no dia 2 deste mês, ato classificado como intimidação aos alunos e pais que defendiam uma professora do estabelecimento privado, punida por criticar o presidente Jair Bolsonaro, o grupo Anonymous expôs na internet uma série de dados pessoais coronel da Polícia Militar, Juliano Chiroli, e da empresária Marluce Conceição Almeida da Silva, coordenadora da escola particular.

O helicóptero utilizado na ação, que repercutiu negativamente em todo o Brasil, criticado por diversos políticos influentes nas redes sociais, pertence ao Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), unidade especializada comandada por Chiroli até o dia 2 de agosto deste ano. Agora, o militar ocupa o cargo de secretário adjunto de Integração Operacional da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT).

Conhecido por protestar em várias partes do mundo contra governos e corporações, o Grupo Anonymous é formado por hackers ativistas que adotam como estratégias expor dados sigilosos que geram desgastes a governantes, políticos e grande grupos econômicos como forma de forçá-los a recuar de algumas ações prejudiciais contra a população.

Nesse contexto, tomando por base a repercussão do caso registrado no Colégio Notre Dame de Lourdes, cujo pano de fundo foi o afastamento da professora que foi gravada fazendo críticas ao presidente Jair Bolsonaro, os hackers divulgaram detalhes como nomes completos, do coronel da PM e da coordenadora escolar. Dentre eles estão: salários que recebem, histórico profissional, números de documentos como CPF, RG, título de eleitor, número do seguro social, empresas que já fizeram ou ainda fazem parte do quadro societário, formação profissional, períodos de admissão e demissão em empresas, endereços residenciais e também virtuais (emails).

No caso da coordenadora do Colégio Notre Dames de Lourdes, foram divulgados seis números de celular e outros três telefones fixos, além de três endereços de e-mail, nomes de duas empresas que ela figura como sócia, além dos endereços residencial e comercial. Em relação ao coronel da Polícia Militar, o grupo expôs informações semelhantes, além de divulgar também o número de registro de sua arma, nomes e dados de 17 parentes, incluindo esposa, filhos, pai e mãe, cunhados, sobrinhos, sogro e sogra, incluindo suas profissões e salários que recebem.

Esses dados ainda estão disponíveis num site onde consta tratar-se de uma “célula Anonymous baseada nas ações coletivas e na diversidade”. Diz ainda que “na era da informação, não podemos nos isolar, devemos nos unir na construção coletiva de um futuro mais livre”.

A publicação vem acompanhada de um longo texto que descreve detalhes sobre a polêmica da chamada “escola sem partido”. O grupo relata que, em meados de 2016, a extrema direita brasileira começou com um discurso muito esquisito sobre a tal “escola sem partido”. “Não há dúvidas que profissionais da educação também tenham suas preferências politicas, mas daí assumir que exista alguma doutrinação é um pouco exagerado. E no caso da extrema direita, é o exagero que aconteceu no último dia 02 de setembro que mostra como é a "escola sem partido" que eles querem”, diz trecho da publicação que usa uma fotografia do helicóptero do Ciopaer levando a bandeira do Brasil a poucos metros acima do pátio do Colégio Notre Dame de Lourdes.

O grupo associa diretamente o sobrevoo do helicóptero ao caso da professora que foi suspensa um dia antes. “Após punir uma professora que havia criticado o Presidente Bolsonaro, a Diretora do Colégio Notre Dame de Lourdes, Marluce C. de Almeida da Silva solicitou ao Ciopaer  (Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas) da PM do Mato Grosso, que um helicóptero sobrevoasse a escola. Os policiais que estavam na aeronave ainda estenderam uma bandeira do Brasil”.

Conforme o Anonymous,  “fica nítida a tentativa de sufocar os ideais defendidos pela professora em questão, de tal modo que, tendo a diretora tomado essa atitude, acaba trazendo o sistema da politização partidária (em específico, a extrema-direita), para órgãos de educação. É grave a situação, uma vez que as instituições de ensino devem formar alunos em uma realidade sóbria e crítica”.

Argumenta ainda que, ao requisitar que um helicóptero sobrevoasse a própria escola, a diretora “puxa para si a responsabilidade de provocar o pânico em quem tem opiniões divergentes. Até porque o fato é, basicamente, inédito, no contexto em que o Presidente da República dos Bananas fala em "agir fora da constituição". Ora, ao realizar uma ação como essa, a diretora, na verdade, utiliza meio de caráter nitidamente repressor para fazer valer sua vontade sobre a dos demais. É só mais uma demonstração que serve para enaltecer o próprio ego em um contexto político em que todos se sentem a vontade para reprimir, oprimir e fazer confundir liberdade de expressão com discursos e atitudes de ódio”, consta no texto. 

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