Sexta, 24 de Setembro de 2021
29°

Tempo aberto

Cuiabá - MT

POLÍTICA INTERFERÊNCIAS

Pinheiro se diz favorável à CPI e afirma: “A máquina está sendo usada para me investigar”

O emedebista disse aos jornalistas que Mato Grosso passa por um momento de “vergonha nacional”, pois existem acusações contra o Governo do Estado que estão sendo divulgadas amplamente por veículos de comunicação nacionais

15/09/2021 às 11h23
Por: Redação 2 Fonte: ÚNICA NEWS
Compartilhe:
Pinheiro se diz favorável à CPI e afirma: “A máquina está sendo usada para me investigar”

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), afirmou na manhã desta quarta-feira (15) que vê com bons olhos a possível abertura de uma CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para investigar supostas interferências políticas, por parte do Governo do Estado, na Polícia Judiciária Civil.

O emedebista disse aos jornalistas que Mato Grosso passa por um momento de “vergonha nacional”, pois existem acusações contra o Governo do Estado que estão sendo divulgadas amplamente por veículos de comunicação nacionais.

Pinheiro fez menção ao caso do jornalista de Cuiabá Alexandre Aprá, dono do site Isso é Notícia, que apresentou queixa à Polícia Federal e saiu de Mato Grosso sob a alegação de perseguição da família do governador do estado, Mauro Mendes (DEM). O caso é analisado pela Corregedoria da PF, que recebeu do jornalista áudios e gravações com um detetive particular que teria sido contratado para tentar forjar um flagrante de tráfico ou pedofilia contra Aprá.

A defesa do governador Mauro Mendes diz que a notícia-crime protocolada na PF é “mentirosa” e “caluniosa”.

Hoje, Pinheiro fez alusão ao caso de Aprá, e apontou a situação como exemplo de recorrente interferência política em investigações da PJC. Além disso, o alcaide classificou que seria “a melhor coisa do mundo” uma CPI para investigar essas denúncias.

“Existem algumas vergonhas nacionais, algumas situações nacionais que precisam passar Mato Grosso a limpo. O que está acontecendo em Mato Grosso, por exemplo, o caso do colega de vocês [jornalistas] Alexandre Aprá, que a mídia nacional está falando, já tomou conta da mídia nacional e aqui parece que nós estamos vivendo em um outro mundo. Mas eu entendo vocês, não tem nenhuma responsabilidade sobre isso. Mas é uma situação que precisa ser passada a limpo. (...) isso é inadmissível, isso é coisa de submundo do crime que tá acontecendo aqui pelo fato de não se deixar, de não estar sendo divulgado na mídia local e esse assunto, e vem de encontro a minha denúncia em relação aos delegados, tá tudo misturado, tá tudo envolvido”, disse Pinheiro.

“Tenho três deputados, que inclusive são de oposição a mim e são independentes ao governo, que parece que aventaram uma CPI lá... é o Faissal, Ulysses Moraes e o Claudinei, então seria a melhor coisa do mundo. Olha lá se não vamos chegar uma segunda edição da grampolândia pantaneria aqui em Mato Grosso”, completou o gestor.

A Comissão de Segurança Pública e Comunitária da Assembleia Legislativa recebeu, na tarde desta terça-feira (14), os delegados Flávio Stringuetta, Lindomar Aparecido Tófoli e Anderson Veiga, para que eles pudessem explicar sobre um possível aparelhamento da Polícia Civil para investigar Pinheiro. A audiência teve mais de duas horas de duração e foi tomada por lembranças, sentimentos e apontamentos, principalmente contra o Governo do Estado, em diferentes gestões. Ao final, deputados chegaram a cogitar uma abertura de CPI.

O delegado Lindomar Toffoli, que atuava como secretário-adjunto da Defaz, disse que “interferências políticas ocorrem não é de hoje” e lembrou que já havia sido afastado do cargo em 2014, durante gestão do ex-governador Silval Barbosa, que, mais tarde, segundo ele, teria lhe confidenciado o real motivo da decisão. “Nessa gestão eu me deparei novamente com essa questão”, acrescentou.

Na sequência, citou algumas investigações nas quais estava trabalhando e que, em sua avaliação, podem ter motivado o seu afastamento da delegacia.

“Se eu não posso investigar o governo e alguém que indiretamente tem vínculo com o governo, eu posso investigar quem? A delegacia estava indo bem, estava produzindo. Estávamos com operações, inclusive tinha operações minhas que envolviam a Prefeitura de Cuiabá também, porque se chegar denúncia contra o governo ou prefeitura nós apuramos da mesma forma, pois entendo que a Polícia Civil é um órgão de estado, não é braço de governo”, declarou.

Tofoli defendeu que seja feita alteração na Lei Complementar que rege a carreira da Polícia Civil, com a finalidade de estabelecer um prazo fixo para a permanência do delegado-geral no cargo.

O deputado Faissal Calil (PV) disse que isso precisa ser mudado. "Não dá para órgãos como PJC e Ministério Público continuar de forma totalmente dependente do governador. Quem anuncia o procurador geral de Justiça é o governador. Se continuar assim, os órgãos sempre terão pires na mão", frisou.

O prefeito de Cuiabá afirmou hoje que tem informações sobre as supostas interferências políticas no direcionamento de investigações na PJC, e disse que MT precisa ser “passado a limpo” tendo em vista que as denúncias envolvem diretamente do governador Mauro Mendes.

“Eu tenho algumas informações, não sei se serão confirmadas ou não, por isso é necessária uma CPI que pode contribuir e muito mais. Mato Grosso nesse aspecto, principalmente nesse aspecto tem que ser passado a limpo porque até envolve diretamente o governador do Estado. Foram autoridades policiais que falaram [na ALMT], não foi o prefeito de Cuiabá, então tá na cara que a máquina está sendo usada para me investigar. O que o Toffoli falou, ele começou a investigar o governo e tem um caminhão de denúncias para investigar e não investigam e só por causa disso ele já foi afastado, então só essa denúncia já valeria uma CPI, uma denúncia dessa já ia cair em outros estados, em outros países, já caíram a secretaria, o governo, já cairiam todo mundo, só que aqui não cai”, lamentou.

NOTÍCIAS QUENTES -  Acesse o grupo do Isso É Notícia no Whatsapp e tenha notícias em tempo real (CLIQUE AQUI)

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.