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OPINIÃO JOSÉ PEDRO GONÇALVES

Saudades do Ministério da Saúde!

Peça perdão ao povo e assuma condição de médico da vida e não verdugo da saúde

22/09/2021 às 16h50
Por: Redação 3 Fonte: JOSÉ PEDRO GONÇALVES
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Saudades do Ministério da Saúde!

Desde que iniciei meus estudos como estudante de medicina, ouvi falar e depois fui ler tudo o que encontrei, naquela época sem internet, apenas recorrendo a revistas e alguns livros que falavam alguma coisa a respeito dessa Instituição.


Em 1903 foi criada a Diretoria Geral de Saúde Pública, que seria o embrião do Ministério da Saúde, que teve como primeiro Diretor uma personalidade que a história registra com muito respeito, Oswaldo Cruz.


De lá para cá, muita água passou por debaixo dessa ponte, algumas vezes uma água turva, outras bem suja, mas, a maioria, eram águas límpidas, cristalinas, rica em nutrientes que alimentaram e mataram a sede de todos que tinham fome e sede de conhecimentos. Foi dessa fonte que retirei uma boa parte das informações sérias, seguras e dotadas de credibilidades inquestionáveis.


A escolha de um Ministro da Saúde sempre foi pautada, primeiramente por alguém dotado de notório saber  na área da saúde. Mais tarde, algumas intercorrências de natureza política foram introduzidas como pré-requisito para a nomeação de um Ministro, nem sempre obedecendo ao notório saber sobre saúde, mas a escolha de alguém que, pelo menos, tivesse capacidade de ouvir e seguir as orientações da equipe técnica do Ministério, uma respeitadíssima equipe.


Alguns desses Ministros não técnicos até que se saíram muito bem e conseguiram desenvolver trabalhos de alta relevância, como aquele que criou o Programa de Agentes Comunitários de Saúde e introduziu a quebra de patentes de medicamentos contra o HIV, o que fez do Brasil o líder mundial no tratamento da AIDS.


Depois disso, com a assunção de governantes não tão preparados para entender o significado de um Ministério da Saúde, pois existe o que se chama obstáculo epistemológico. O que é isso? É quando alguém não consegue perceber que existe um obstáculo a ser superado porque não consegue percebê-lo. É por essa razão que o sucesso da ciência reside, primeiramente, no reconhecimento dos obstáculos e, depois, na sua superação. A realidade é o primeiro deles. Algo como pilotar um avião se não se sabe onde está o primeiro botão a ser ligado.


Certamente este é sempre o pior de todos os erros cometidos pelos políticos que governam os pedaços desta Nação despedaçada, escolher cúmplices e não alguém que saiba resolver os problemas do setor saúde.  


Bem, retomando o saga de nosso tão querido e saudoso Ministério da Saúde, ele foi tomado de assalto pelos podres poderes que nos últimos anos tomaram posse dos recursos da sua dotação orçamentária e passaram a administrá-lo como se fossem de sua propriedade. E assim foi feito e continua sendo feito.  

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Eis que, de repente, pelo golpe de uma faca, foi entronizado no Brasil, um governante cuja única preocupação é mandar. E o velho jargão, já enterrado no cemitério da história, aquele “sabe com quem está falando”, é recuperado e introduzido como fator determinante das políticas públicas invisíveis, pois até agora não foi vista em lugar algum.


Na tentativa de enganar a opinião pública nos primeiros dias, enquanto aprendia os atalhos do Poder, escolheu alguns ministros realmente sérios, competentes éticos e representativos do que há de melhor neste País.

 

Tão logo aprendeu por onde poderia caminhar, pisando de pedra em pedra sem molhar os pés, desdisse e perjurou tudo o que havia jurado diante da história e do mundo em transmissão na televisão. Talvez este seja o mais iníquo de todos os presidentes da nossa história.


Quando surgiu a pandemia, desejoso de exercitar o seu mandonismo perverso e irresponsável, tentou impor suas perversidades para execução do Ministério da Saúde, mas esbarrou no caráter e no respeito ao juramento hipocrático feito por um médico, aliás, por dois médicos, que não se curvaram diante da prepotência do suserano.


Para contornar essa dificuldade, “coturnou” o Ministério ao nomear um coturno como ministro, embora um homem que assume um ministério qualquer, não deve ser um coturno, mas esse era. E, de cabresto, foi conduzido pelos caminhos mais torpes que um general pode caminhar, assumindo perante o mundo a sua tibieza, a sua condição de xerimbabo, que significa animal de criação, um mascote para os Tupinambás.


E deu no que deu! Meio milhão de mortos, cuja responsabilidade não cabe a ninguém senão o suserano e seu mascote de coturno. Diante do escândalo internacional, foi escondido, arquivado em algum arquivo morto qualquer, ou camuflado em alguma sinecura em algum desvão do poder executivo.

 

Então, eis que emerge das penumbras um médico, pelo menos na mídia, tido e havido como competente e capaz de superar as desditas do povo brasileiro, atirados à própria sorte, tentando ficar na vida, mas surpreendido pela morte e posto em sepulto sem cerimônia e sem luto. Mas...


Este mas... sempre me persegue, eis que o tal doutor em cardiologia e doutorando em bioética...o que? Bio o quê? Ora bolas! Bio tem sempre o sentido de vida, vida plena, intensa, compartilhada, experienciada em comunidades, jamais em cemitérios, e aqui não vou produzir um impropério, embora ele o mereça, e para que ninguém esqueça, esse pretenso estudioso da vida, seguiu cultuando a morte ao seguir pelo mesmo caminho de seu antecessor.


Ah! Meu querido Ministério da Saúde. Veja que fizeram com sua estrutura, o transformaram em cemitério e coveiro de sepultura. Embora o seu corpo (o técnico) seja dos melhores, responsáveis, éticos, a cabeça que lhe deram já vem com cabresto e com dobradiça na coluna.

 

Que pena! Pois um ser que assume um cargo de tanta relevância, jamais pode assumir perante o mundo que o programa de saúde do ministério é determinado pelo suserano, um capitão expelido pelo exército por má conduta.

 

Onde fica o profissional de saúde que tem o dever, dever juramentado, de defender a vida e lutar contra as doenças, em especial uma pandemia que não separa rico do pobre, não reconhece a diferença entre atletas de alta performance e convalescente de doenças crônicas.


Ah! Meu Brasil, que destino cruel, que desatino do infiel juramentado que se comporta como gado em direção ao matadouro, esperando a imunidade de rebanho.


Para se manter em sua prebenda, aceita decidir por encomenda, tratando adolescente como nada, proibindo de serem vacinadas. Que vergonha, tão cruenta, ‘seu’ ministro da saúde, que vergonha!

 

Se você tem filhos e alguns netos, deveria se esconder em um buraco, se vergonha tivesse, se caráter possuísse, mas como nada disso tem, segue comportando como mascote, o xerimbabo do sinistro capitão, a mais nova reedição do Procusto mitológico.


“Seu” ministro, aqui, agora, eu registro, por favor, em seu sinistro currículo escreva o título de ridículo, o mais ridículo de todos que passaram por esse ministério que foi transformado em ataúde de Programas verdadeiros de saúde.


Peça perdão ao povo brasileiro e assuma, ao menos uma vez, a condição de médico da vida e não de verdugo da saúde e cultor da morte, quem sabe, no futuro terá uma melhor sorte. Que assim seja!

José Pedro Rodrigues Gonçalves é doutor em Ciências Humanas.

 

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