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OPINIÃO ENOCK CAVALCANTI

Câmeras corporais, a moda que surge e pode reprimir com força a corrupção

Mas por que só eles devem ser vigiados tão intensamente?!

26/10/2021 às 09h56
Por: Redação 2 Fonte: ENOCK CAVALCANTI
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Câmeras corporais, a moda que surge e pode reprimir com força a corrupção

Meus amigos, meus inimigos Lendo e conversando com meu amigo, o ativo e dedicado causídico cuiabano José Ricardo Corbelino, que defendia a introdução das câmeras corporais na Policia Militar de Mato Grosso e de todo Brasil, de repente me veio a iluminação, como se uma bela fada, uma enviada de Galdalf, o Mago Cinzento,  me tocasse a face, me abrindo os olhos da mente.

Meu deus (em minúsculo, sim, por que dúvido que ele esteja me lendo e me ouvindo), por que tanta disposiçao em vigiar os passos dos policiais durante as suas jornadas de trabalho, seja nas comunidades negras dos Estados Unidos, seja nas favelas brasileiras, cada vez  mais, horizontal e verticalmente, populacionalmente enormes?!

O uso obrigatório das cameras corporais vem se espalhando pelo mundo e o que se argumenta é que é boa forma de controlar e conter a violência e a brutalidade que PM e outros meganhas costumam exercer contra vulneráveis que, de súbito, são submetidos ao seu poder de polícia. Tudo bem, é uma tática de documentação importante para se conhecer como agem e como trabalham aqueles profissionais responsáveis por garantir a segurança da sociedade. Mas por que só eles devem ser vigiados tão intensamente?! 

Escrevo esse artigo pensando em lideranças da classe dos policiais aqui em Mato Grosso como o Subtenente Luciano Esteves, da Assoade MT, o coronel Wanderson Nunes de Siqueira, da Assof MT, o cabo Adão Martins, da Assumt e o PM deputado estadual Elizeu Nascimento, com quem já tive a oportunidade de dialogar mas imagino que esse assunto deve também motivar outros ativistas da área da Segurança, como o deputado delegado Claudinei, o vereador Tenente Vidal, o delegado Stringhetta, o secretário Bustamante, enfim, todos que se preocupam em preservar as prerrogativas dos profissionais da Segurança em face dos demais trabalhadores.

É que entendo que os policiais, das mais diversas funções, deveriam reagir e não admitir que uma vigilância tão intensa e sequer imaginada, na profundeza desse detalhe, pelo escritor George Orwell, criador do Grande Irmão, no seu clássico livro “1984”,  com várias adaptações para o cinema e a TV,  pese apenas sobre esta categoria policial como se só nela se encontrasse profissionais que desafiam a Lei e distorcem e atraiçoam as suas responsabilidades perante nosso povo, em nome do qual todo poder é exercido. Digo isso reconhecendo que a presença vigilante de um olho eletrônico certamente contribuirá para diminuir drásticamente a ação de tantos meliantes que, com a farda ou o distintivo policial, praticam as mais diversas atrocidades, torturando e matando e muitas das vezes ficando impunes, causando horror cotidiano em nossa  sociedade.

Daí que fiquei olhando para o causídico Corbelino e matutando: por que não tornar Lei o uso de cameras corporais por todos os profissionais em atuação neste País, já que o objetivo maior é a garantia do bem comum e do absoluto respeito à Legislação?! 

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Já pensou uma câmera corporal instalada no peito do governador Mauro Mendes? Outra no peito do capetão Bolsonaro? Mais uma no peito do ministro Gilmar Mendes? Outra no peito do Eduardo Botelho? Outra no peito do prefeito Emanuel Pinheiro? Outra no peito do conselheiro Sérgio Ricardo, recentemente devolvido às funções de conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso pelo STJ? Quem sabe o jornalista Sérgio Ricardo se houvesse, na época da pretensa compra de vaga no TCE, usado a camera corporal, estaria hoje livre de ter que encontrar explicação para toda aquela grana que os agentes do Ministério Púbico de Mato Grosso, dizem nos autos terem encontrado em contas bancárias do então conselheiro Alencar Soares e de seus filhos. Com uma câmera corporal, cobrindo e gravando suas atividades, Sérgio Ricardo certamente agiria com maior comedimento, penso eu. E não só ele, mas todos que, daqui em diante, sejam monitorados.

Fico imaginando que os procuradores do MPF de Mato Grosso certamente que gostariam de contar com câmeras no corpo do promotor Marcos Regenold para documentar direitinho como que foi encaminhada a delação do ex-secretario de Fazenda de Mato Grosso Éder Moraes, antes da lastimável invasão promovida na sede do Gaeco MT. Que rico material teríamos todos nós, se houvesse uma câmera corporal no deputado Zé Riva, acompanhando, filmando e gravando, as tais audiências de negócios que ele promovia  em seu gabinete na Assembleia Legislativa a partir, muitas vezes, das 5 horas da manhã.

Foi uma câmera clandestina instalada pelo Sílvio Cezar Corrêa, assessor do ex-governador Silval Barbosa, em seu gabinete, que promoveu o maior strike na política de Mato Grosso, expondo deputados estaduais recolhendo o dinheiro sujo distribuido pelo governador para conseguir votos e o silêncio cúmplice de seus pretensos fiscais. Com a adoção da câmera corporal o objetivo, é claro, seria prevenir os deslizes e evitar crimes como esses que, aliás, ainda reclamam por uma punição. 

Sim, com essas filmagens permanentes, entendo que a rachadinha, por exemplo, estilo de corrupção que ganhou enome relevo com a familicia Bolsonaro mas que é uma nossa velha conhecida dentro da politicagem brasileira -  já tendo exposto, até mesmo em processos judiciais e em farto noticiário, em Mato Grosso, nomes como os de Everton Pop, Wagner Ramos, Jajah Neves e Wilson Santos, mas que se mantém como uma prática quase de generalizada nos mais diversos niveis da administração pública no Brasil – poderia, sim, ser contida!

E por aí avança a minha especulação: uma câmera corporal no ex-governador Dante de Oliveira e no seu chefe da Casa Civil, Antero de Barros, certamente que contribuiria para reescrever a história do homem das Diretas Já e do “senador das mãos limpas” que já ouvimos o jornalista Américo Corrêa ironizar chamando-o de “senador cotó”. Outra câmera corporal no ex-governador Maggi nos esclarecia, quem sabe, por que morreu seu infeliz secretário Vilceu Marchetti que passou à Historia como pretenso bolinador de suas empregadas. Com as filmadoras nas togas dos magistrados teríamos, finalmente, o fim, quem sabe, das vendas de sentenças em nossas comarcas e no Tribunal mato-grossense, que tanto degrada a nossa magistratura -  e isso pode contribuir para aperfeiçoar a prática forense não só aqui mas em todo o País.

Penso no passado mas também projeto o futuro. Uma camêra corporal em cada empresário dono das grandes agencias de publicidade deste Estado e nos membros da Comissao de Licitação, garantiria, sim, a higidez da licitação para distribuição das verbas publicitárias do atual governo do Estado, cuja licitação original teve que ser recentemente anulada.

Uma câmera nos vereadores e prefeitos e secretários de todos os municipios certamente deteria a tão falada sangria do dinheiro público que, volta e meia, dá o que falar nos julgamentos do Tribunal de Contas e em ações na Justiça. O mesmo resultado se alcançaria, certamente, se deputados estaduais, secretários de Estado, chefes de gabinetes e aspones detentores de cargos comissionados ( notadamente os D.A.Ss), por todo o Mato Grosso, tivessem que atuar com as câmeras presas em seus colarinhos brancos.

Depois das patifarias denunciadas na Prevent Senior, e da delação cuiabana do ex-secretário Huark Douglas, monitorar a atuação de médicos, enfermeiras, peritos, gestores e fornecedores do setor de Saúde, seja de Cuiabá, seja de todos os municipios, de todo o Estado e de todo o Brasil também é altamente recomendável.

Quem se horroriza com as farras sexuais que tem sido alardeadas envolvendo os políticos de nossa Assembleia, uma vez adotada a câmera corporal, também veria essa situação escandalosa ( que já teria produzido dois filhos fora do casamento para dois parlamentares bastante badalados) mudar completamete. A honra e as partes pudentas das moças contratadas para servir no nosso Parlamento estadual não seriam mais exposta de forma tão cínica, pois as filmagens conteriam, há que se ter esperança, o priapismo de determinados políticos acusados de afrontar a Lei e a moralidade pública.

Claro que quando defendo esta tese penso também nas malandragens praticadas, muitas das vezes por nós mesmos, jornalistas. E penso nas propinas que já foram repassadas, através dos anos, para tantos e tantos profissionais da imprensa que tiveram seus nomes listados na relação de pagamentos que eram feitos, por baixo dos panos, a partir dos cofres do Governo do Estado de Mato Grosso. Há gente viva por aí que poderia dar muitos detalhes sobre essa história, mas já que esses espertalhões não falam sobre este passado vexaminoso, que as câmeras corporais, daqui pra frente, nos poupem do surgimento e da manutenção de novos esquemas sórdidos deste tipo.

Poderia dar muitos e novos exemplos. Mas cada um que, lendo este texto, botar a sua cabeça para trabalhar, verá o impacto que uma medida dessa – o uso generalizado das câmeras corporais – pode ter nas atividades públicas e privadas de nosso País, no sentido de garantir um grande avanço da moralização e do fiel cumprimento das leis em vigor. Temos que agradecer muito a quem sugeriu esse novo uso para as câmeras, com tecnologia diuturnamente aprimorada, e àqueles que as vem implantando nos uniformes de nossos PMs, Brasil afora. Talvez sem querer, essas pessoas mostraram-nos o caminho para dar um forte tranco nas bandalheiras que contaminam as atividades profissionais, de uma forma geral, no Brasil.

Nesse caso, não devemos ter medo de generalizar e vou ficar torcendo para que apareçam e se multipliquem as propostas para a utilização desses pequenos e notáveis equipamentos. Que não falte coragem aos nossos legisladores e gestores.

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