Quinta, 19 de Maio de 2022
22°

Alguma nebulosidade

Cuiabá - MT

OPINIÃO MARCELO PORTOCARRERO

Preservação

A preocupação com as praças e bens públicos de nossa cidade deixou de existir

09/05/2022 às 13h42
Por: Readação 2 Fonte: MARCELO PORTOCARRERO
Compartilhe:
Preservação

A Praça Batista Campos fica no bairro de mesmo nome em Belém/PA, sendo um exemplo de preservação que infelizmente muitas cidades não adotaram, entre as quais está a nossa Cuiabá. 

Desde muito tempo atrás, a preocupação com a preservação das praças e outros bens públicos de nossa cidade deixou de existir, em seu lugar a necessidade de construir algo moderno aos olhos desavisados das novas gerações, principalmente nos anos de eleições municipais, levou à prática corriqueira de apresentar as obras nesses locais como reformas, mas que, ao final, não passam de verdadeiras transformações, melhor dizendo, deformações que mostram o desrespeito às memórias paisagística e arquitetônica dos locais onde aconteceram.

Daquele vasto patrimônio público restam relativamente preservados apenas a Praça da República e o Palácio da Instrução, certamente os últimos representantes do que fomos no passado, até porque a Igreja Matriz do Bom Jesus de Cuiabá, patrimônio que complementava o sítio histórico do centro da capital até meados da década de 60, já não existe mais. 

NOTÍCIAS QUENTES - Acesse o grupo do Isso É Notícia no WhatsApp e tenha notícias em tempo real (CLIQUE AQUI)

Foi uma das primeiras vítimas da insensatez que impunemente substituiu o antigo santuário pela nova, bela e deslocada Catedral Metropolitana. Uma construção sem qualquer vínculo com o passado da cidade, tal qual acontece com as novas praças que substituem as antigas, verdadeiros jardins históricos, na continua e incontrolável ação de descaracterizá-las sob pretexto de adequação às novas demandas urbanas.

Quem age assim, não reconhece o passado do próprio país, quanto mais o do velho mundo com suas cidades milenares que mesmo tendo enfrentado duas guerras mundiais e inúmeras catástrofes ambientais, tudo, mas tudo mesmo, foi minuciosamente restaurado.

MARCELO PORTOCARRERO é engenheiro civil.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.