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Abraji repudia tentativa de atropelamento de jornalistas em SP

É inadmissível que esse tipo de ataque ocorra, cada vez com mais frequência, em um país democrático

13/05/2022 às 09h37 Atualizada em 14/05/2022 às 06h49
Por: Redação 3 Fonte: ABRAJI
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Abraji repudia tentativa de atropelamento de jornalistas em SP

Um homem não identificado jogou seu carro contra as jornalistas Paula Araújo e Patrícia Santos, que estavam transmitindo ao vivo uma reportagem para a GloboNews. A agressão ocorreu na manhã de terça-feira (10.mai.2022), numa avenida movimentada da zona Sul de São Paulo. 

Paula Araújo estava ao vivo na TV, sendo filmada por Patrícia Santos, quando o homem, em um Palio, parou no semáforo e começou a xingá-las. As jornalistas não reagiram e mantiveram o link. Quando o semáforo abriu, o homem deu ré no carro e subiu na calçada para atingir a repórter que nem sequer conseguia ver os movimentos dele, uma vez que estava falando com o estúdio.

Paula Araújo foi alertada por Patrícia Santos e saiu da posição, se esquivando do carro. Pessoas que estavam próximas se assustaram com a agressão e chamaram dois policiais, mas o homem fugiu sem ser identificado. 

Em março, uma equipe da TV Globo foi atacada por um homem no centro de São Paulo, que feriu o repórter cinematográfico Ronaldo de Souza com uma corrente. O jornalista teve de ser submetido a uma cirurgia na mão.

Em nota, a emissora lamentou o ocorrido. “A TV Globo repudia com veemência a violência, se solidariza com a repórter Paula Araújo e com a repórter cinematográfica Patrícia Santos e adverte, mais uma vez, que todos os que agridem o trabalho da imprensa estimulam esse tipo de ato”, diz o comunicado da Globo. O Sindicato dos Jornalistas e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) também se manifestaram, conclamando a sociedade a se mobilizar para frear a escalada de violência com que os profissionais de imprensa têm sido tratados.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudia essa agressão e se solidariza com as duas repórteres que, mesmo sob ameaça, mantiveram firmeza para continuar com a reportagem ao vivo. É inadmissível que esse tipo de ataque ocorra, cada vez com mais frequência, em um país democrático. Apenas nos primeiros quatro meses deste ano, foram 151 episódios de agressão física, verbal e digital a profissionais e meios de imprensa, o que corresponde a um aumento de 26,9% em relação ao mesmo período de 2021, segundo o monitoramento de ataques feito pela Abraji e pela Voces del Sur.

É uma situação preocupante, alimentada em grande parte por falas agressivas de autoridades públicas. O presidente Jair Bolsonaro (PL) tensiona as relações entre as instituições democráticas e mantém uma posição de conflito com a imprensa brasileira. Com a proximidade das eleições e o acirramento dos ânimos políticos, a Abraji avalia que crescem os riscos à liberdade de imprensa, ao cumprimento do exercício profissional e à integridade física e moral dos jornalistas.

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