Diversas pessoas presas na primeira etapa da Operação Metástase, que resultou na detenção de 22 servidores ou ex-servidores da Assembleia, revelaram nos depoimentos que o advogado Alexandre Nery atuou para coagi-las a mentir para o Ministério Público. Os relatos incluem até chutes por baixo da mesa para que os interrogados não contassem a verdade.
O jurista, que era servidor comissionado da Assembleia e ao mesmo tempo advogado de defesa do ex-deputado estadual José Riva, teria coagido testemunhas em conjunto com Maria Helena Caramelo e Geraldo Lauro. Os dois servidores foram presos ontem (13), juntamente com Riva, na segunda etapa da Operação Metástase, deflagrada pelo Gaeco, denominada "Célula Mãe".
Com efeito, ao invés de orientar a cliente mediante uso de estratégia jurídica que a beneficie individualmente, o advogado parece tê-la orientado a apenas proteger a organização. Este mesmo advogado teria se encarregado de abordar e convencer todos os demais envolvidos a ocultarem a verdade, quando fossem ouvidos pelo Ministério Público, cita a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, no despacho que decretou a prisão de Riva, se referindo a Alexandre Nery.
Depoimentos
Abemael Costa Melo, por exemplo, afirmou em depoimento que foi orientado por Nery a confirmar que havia recebido mercadorias adquiridas com a verba de suprimento, pessoalmente. Além disso, disse que o advogado o chutava por debaixo da mesa para que não contasse a verdade.
No depoimento, Abemael ainda declarou que seguiu a orientação do advogado para não ter a integridade física ameaçada e por receio de perder o cargo, já que tem uma filha deficiente física. Entretanto, ressaltou que nunca conferiu qualquer mercadoria ou serviço prestado, e não sabe o fim específico do dinheiro desviado.
Outros ex-servidores da Assembleia presos na primeira etapa da Operação Metástase, Ana Martins de Araújo Pontelli, Lais Marques de Almeida e Hilton da Costa Campos, também citam a pressão de Alexandre Nery em seus depoimentos. Os três afirmam que foram orientados pelo advogado, em reuniões com a presença de Maria Helena e Geraldo, que mercadorias haviam sido entregues e serviços prestados ao Legislativo.
Outro lado
Alexandre Nery declara que jamais houve pressão e que apenas foi procurado por alguns servidores da Assembleia para prestar consultoria jurídica. Além disso, afirma que tem 20 anos de advocacia e nunca se prestaria ao papel de chutar depoentes por debaixo da mesa. Somente exerci a prerrogativa constitucional de orientar o cliente a não se auto-incriminar, explica em entrevista ao Rdnews.
A reportagem também tentou, insistentemente, contato com o presidente da OAB-MT, Maurício Aude, no entanto, não atendeu nem retornou até a publicação.
Ao blog Isso É Notícia, Nery destacou ainda que sequer acompanhou o depoimento da testemunha Abemael Costa Melo ao Ministério Público.










