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POLÍTICA E PODER 14 de Outubro de 2015, 16:53 - A | A

Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015, 16h:53 - A | A

POLÍTICA

Advogado de Riva ameaçava e até chutava testemunhas em audiências

Advogado de Riva ameaçava e até chutava testemunhas em audiências

Advogado Alexandre Nery Advogado Alexandre Nery

Diversas pessoas presas na primeira etapa da Operação Metástase, que resultou na detenção de 22 servidores ou ex-servidores da Assembleia, revelaram nos depoimentos que o advogado Alexandre Nery atuou para coagi-las a mentir para o Ministério Público. Os relatos incluem até chutes por baixo da mesa para que os interrogados não contassem a verdade.

 

O jurista, que era servidor comissionado da Assembleia e ao mesmo tempo advogado de defesa do ex-deputado estadual José Riva, teria coagido testemunhas em conjunto com Maria Helena Caramelo e Geraldo Lauro. Os dois servidores foram presos ontem (13), juntamente com Riva, na segunda etapa da Operação Metástase, deflagrada pelo Gaeco, denominada "Célula Mãe".

 

“Com efeito, ao invés de orientar a cliente mediante uso de estratégia jurídica que a beneficie individualmente, o advogado parece tê-la orientado a apenas proteger a organização. Este mesmo advogado teria se encarregado de abordar e convencer todos os demais envolvidos a ocultarem a verdade, quando fossem ouvidos pelo Ministério Público”, cita a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, no despacho que decretou a prisão de Riva, se referindo a Alexandre Nery. 

 

Depoimentos

 

Abemael Costa Melo, por exemplo, afirmou em depoimento que foi orientado por Nery a confirmar que havia recebido mercadorias adquiridas com a verba de suprimento, pessoalmente. Além disso, disse que o advogado o chutava por debaixo da mesa para que não contasse a verdade.

 

No depoimento, Abemael ainda declarou que seguiu a orientação do advogado para não ter a integridade física ameaçada e por receio de perder o cargo, já que tem uma filha deficiente física. Entretanto, ressaltou que nunca conferiu qualquer mercadoria ou serviço prestado, e não sabe o fim específico do dinheiro desviado.

 

Outros ex-servidores da Assembleia presos na primeira etapa da Operação Metástase, Ana Martins de Araújo Pontelli, Lais Marques de Almeida e Hilton da Costa Campos, também citam a pressão de Alexandre Nery em seus depoimentos. Os três afirmam que foram orientados pelo advogado, em reuniões com a presença de Maria Helena e Geraldo, que mercadorias haviam sido entregues e serviços prestados ao Legislativo.

 

Outro lado

 

Alexandre Nery declara que jamais houve pressão e que apenas foi procurado por alguns servidores da Assembleia para prestar consultoria jurídica. Além disso, afirma que tem 20 anos de advocacia e nunca se prestaria ao papel de chutar depoentes por debaixo da mesa. “Somente exerci a prerrogativa constitucional de orientar o cliente a não se auto-incriminar”, explica em entrevista ao Rdnews.

 

A reportagem também tentou, insistentemente, contato com o presidente da OAB-MT, Maurício Aude, no entanto, não atendeu nem retornou até a publicação.

 

Ao blog Isso É Notícia, Nery destacou ainda que sequer acompanhou o depoimento da testemunha Abemael Costa Melo ao Ministério Público.

 

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