Douglas Trielli/Isso É Notícia

Gravações mostram conversa onde ex-secretário Eder Moraes diz que vai "explodir" todo mundo e que não vai sobrar ninguém
O ex-secretário de Estado de Fazenda, Eder Moraes, aparece fazendo contundentes afirmações sobre o governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), em interceptação telefônica a qual o Isso É Notícia teve acesso.
Na conversa, Eder diz a um empresário de comunicação de Cuiabá que tem documentos comprometedores escondidos em outros países que comprometem muitas pessoas. Ele garante "não sobrar ninguém". Nesse momento, Eder fala no nome de Pedro Taques e faz menções a suspostas transações comerciais entre o governador e o Grupo JBS Friboi e Usinas Itamaraty.
A Friboi foi uma das maiores doadoras de campanha de Taques nas eleições de 2010. A Justiça de Cuiabá acatou uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Estadual (MPE) e bloqueou R$ 73 milhões da empresa. Segundo o MP, a empresa fazia parte de um esquema para fraudar o fisco estadual e deixar de pegar impostos.
Além disso, um dos sócios da JBS aparece em um relatório da Operação Ararath como um dos donos de uma off shore no Panamá que também era de propriedade de Ariane Mendonça, ex-funcionária do gabinete de Taques no Senado Federal.
“O que eu tenho fora do País guardado e realmente quiser explodir essa merda. Não fica um. Não sobra ninguém. Nem o senhor Pedro Taques fica de pé. Ele que é todo paladino da moralidade. Ele não sonha o que eu tenho de transações dele com a JBS Friboi, sei da relação dele com as Usinas Itamarati. Ele acha que eu sou um trouxa, que eu fui secretário de Fazenda, que eu não mantenho um serviço de inteligência no Estado, que eu sou burro. Então, eu tô queito, tô na minha, mas tô revoltado”, diz Eder Moraes, na gravação.
"Silval sairia enjaulado"
Depois disso, Eder também cita o prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta (PDT), e o megaempresário do agronegócio, Eraí Maggi. Ambos foram coordenadores da campanha vitoriosa de Taques ao governo, no ano passado. Os ex-governdadores Blairo Maggi (PR) e Silval Barbosa (PMDB) também são citados por Eder, que chega a dizer que se a PF soubesse tudo o que ele sabe sobre o peemedebista, ele sairia preso do Palácio Paiaguás.
“Se eu for na imprensa e falar o que eu sei do Pivetta, ele quebra. Se eu colocar o que eu sei de Eraí Maggi, ele quebra. Se eu falar do Blairo Maggi ele quebra, nem o banco dele mais sai do papel. E se eu falar o que sei sobre Silval Barbosa ele sai enjaulado de dentro do Palácio Paiaguás. Então esses caras estão brincando comigo, cara.”
Em todo momento, Eder reclama da falta de "companheirismo" dos ex-governadores Blairo e Silval.
"Estão achando que eu sou um trouxa, um bosta, um zé ninguém, um leproso, um merda. Eles vão se foder comigo. Quero que se foda, vou explodir merda pra todo lado. Tô cagando e andando. Vou pra minha eleição pra deputado igual um bicho comendo o pão que o diabo amassou", diz Eder, na interceptação.
Ouça aqui o trecho da interceptação telefônica:









