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Colunista Kharina Nogueira é "mulher bomba" e foi delatora do ex-marido após ser "sacaneada" em processo de divórcio
A megaoperação da Polícia Federal que investiga todos os Poderes em Mato Grosso teve origem na denúncia da ex-mulher de um dos envolvidos. "Sou um arquivo vivo", disse à Folha Karina Peres, 37, ex-mulher do empresário Gércio Mendonça Jr.. Júnior Mendonça, como é conhecido, é dono das empresas Amazônia Petróleo (postos de combustíveis) e Globo Fomento (factoring), entre outras. Para a PF, elas funcionavam como uma espécie de "banco clandestino", abastecido por empréstimos privados fraudulentos e dinheiro público desviado.
Na última terça-feira (20), a chamada Operação Ararath fez buscas até na casa do governador Silval Barbosa (PMDB), que chegou a ser detido por posse ilegal de arma. Em fevereiro, Mendonça Jr. resolveu colaborar com a apuração, após a PF reunir uma série de provas de enriquecimento ilícito e de crimes financeiros supostamente praticados por ele. Agora presta informações em regime de delação premiada (em troca de benefícios na acusação) –já disse, por exemplo, ter emprestado R$ 4 milhões para a campanha de Barbosa em 2010.
Quase oito anos antes, em agosto de 2006, o empresário já era alvo de denúncias de Karina. Ela procurou a Polícia Civil de MT logo após se separar de Mendonça Jr., com quem se casara em 2004. Na ocasião, Karina, conhecida pelo trabalho como colunista social em Cuiabá, associou o nome do ex-marido a "operações ilegais de lavagem de dinheiro".
Acionado, o Ministério Público do Estado remeteu o caso à Procuradoria da República em 2007, após encontrar indícios de crimes financeiros, de alçada federal. A Polícia Federal abriu inquérito em 2010 e ouviu Karina em novembro daquele ano, quando ela apontou, segundo relatório da PF, "relacionamentos suspeitos" do ex-marido com "políticos do alto escalão" de MT. Também indicou supostos "laranjas" do empresário.
PADRÃO DE VIDA - Karina diz que levava uma vida de luxo com Mendonça Jr.. "Viajávamos muito, muitos carros, gastávamos R$ 100 mil por mês." Afirma que desconfiava dos negócios do ex-marido, que, segundo ela, cresceram quando ele abriu a Globo Fomento, em 2002. "Aí ele começou a emprestar dinheiro de forma ilícita." Segundo a PF, apenas a conta pessoal e de quatro empresas de Mendonça Jr. movimentaram mais de R$ 500 milhões de 2004 a 2010. Sobre ligações de Mendonça Jr. com políticos, ela acredita que tenham se tornado mais intensas depois da separação. Para ela, o ex-marido "já deveria estar preso há muito tempo" e faz uma delação premiada "pela metade". "Só para se safar", diz.
OUTRO LADO- Em nota divulgada por seus advogados, Mendonça Jr. apenas confirmou que está colaborando com as investigações. Disse que por condições do termo de colaboração e para "resguardar sua honra e de sua família" não irá se pronunciar sobre o caso por meio da imprensa. A defesa do governador Silval Barbosa afirmou na última sexta (23) à Folha que só irá se manifestar após ter conhecimento integral das apurações. Em nota divulgada no começo da semana, ele manifestou "confiança" nas apurações e defendeu "a transparência e a divulgação detalhada de tudo que for apurado e constatado".









