Promotor Marco Aurélio de Castro, coordenador do Gaeco-MT (Foto: Mary Juruna)
O Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão ligado ao Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso, pode ter feito uma manobra para que as investigações relativas à Operação Ventríloquo não saíssem das mãos da juíza Selma Arruda, da Vara de Combate ao Crime Organizado de Cuiabá.
Essa é a probabilidade mais aventada nos bastidores jurídicos para justificar o não-aprofundamento das investigações em relação a deputados que estejam ocupando mandato e que estão diretamente envolvido no caso.
O então presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso à época dos fatos, deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB), e o primeiro-secretário, deputado estadual Mauro Savi (PR), não foram alvo de buscas e apreensão, nem de prisão ou sequer foram convocados a prestar esclarecimentos no dia da operação.
Deputados Mauro Savi e Romoaldo Júnior
Ainda há a suspeita de que ambos podem ter colaborado com as investigações em troca de benefícios futuros em caso de demandas judiciais.
Ambos assinaram as ordens de pagamentos no valor de R$ 9 milhões ao advogado Joaquim Miele, que representava o antigo Bamerindus, mas fez um "acordo" administrativo à revelia do banco. O dinheiro teria sido desviado para diversas contas de empresas e pessoas físicas.
Caso o envolvimento de deputados em mandato surgissem, a investigação deveria ser remetida ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso em razão do foro privilegiado ao qual os deputados têm direito. Nesse caso, o MP também deveria repassar a investigação para o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), órgão ligado à Procuradoria-geral de Justiça.
Sem esse desmembramento, o foco nos outros investigados que não dispõe de foro, como é o caso de José Riva, seria facilitado, segundo juristas ouvidos pelo blog.
A juíza Selma decretou a prisão de Riva na última terça-feira. Mas, ele foi solto horas depois pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que afirmou que a prisão foi ilegal. Além disso, ela insinuou que a magistrada usou a nova prisão para desobedecer outra decisão do STF que havia colocado Riva em liberdade na semana anterior.
Em uma rápida investigação, logo após a deflagração da operação, o blog conseguiu apurar três envolvidos que têm ligações de proximidade com o então presidente da AL, deputado Romoaldo Júnior, que assinou os pagamentos. - clique aqui para ler.









