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POLÍTICA E PODER 26 de Fevereiro de 2014, 08:30 - A | A

Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014, 08h:30 - A | A

POLÍTICA

PF flagra aliado de Taques negociando dossiê contra Eder por R$ 1,5 milhão; senador fez "ameaças" na imprensa na data

PF flagra aliado de Taques negociando dossiê contra Eder por R$ 1,5 milhão; senador fez "ameaças" na imprensa na data

Moreira Mariz/Agência Senado

Senador Pedro Taques (PDT)

Investigada através da Operação Ararath,a advogada da empresa Encomind, Juliana Borges Moura Pereira, teve suas ligações interceptadas pela Polícia Federal, nas quais afirma que o senador Pedro Taques (PDT) encomendou um dossiê contra o então secretário extraordinário da Copa em Mato Grosso, Éder Moraes Dias (PMDB) pelo valor de R$1,5 milhão. Os diálogos foram gravados em fevereiro de 2012, quando Moraes ainda liderava a pasta.

Juliana era casada, na época, com o ex-secretário de Meio Ambiente de Cuiabá, Archimedes Pereira Lima Neto, ex-dirigente do PV, partido aliado de Taques, que teria levantado as informações contra o ex-secretário da Copa além de intermediado as negociações com o senador. A investigada é, também, prima do empresário Rodolfo de Campos, ex-sócio da Encomind Construção, Indústria e Comércio Ltda, empresa que teria sido beneficiada em uma decisão judicial do juiz Julier Sebastião da Silva, que também figura como investigado.

Archimedes não é o primeiro aliado de Taques envolvido na Operação Ararath. Conforme o Isso É Notícia mostrou, o maior doador de sua campanha, o empresário Fernando Mendonça, foi um dos alvos da operação. Além de ter doado R$ 230 mil ao senador, ele também dirigia o PDT de Várzea Grande, sob as bênçãos de Taques. Além disso, a filha do empresária também é funcionária do gabinete do senador desde o início de seu mandato.

Investigado pela PF, Fernando Mendonça foi o maior doador de campanha do senador Pedro Taques

Filha de alvo da PF trabalha no gabinete de Pedro Taques 

Nos diálogos interceptados, Juliana revela à mãe, que Pedro Taques se preocupava em manter distância de Archimedes Neto para não ser vinculado a ele e, também, para preservá-lo já que o senador sempre dispunha de “cinco seguranças a seu lado o tempo todo, mas Neto não” - diz em trecho gravado -.

A irmã de Juliana, Luciana Borges Moura Pereira, também é citada como mentora do dossiê. O valor pago pelo senador Pedro Taques seria distribuído igualmente entre os três, ou seja, seriam pagos R$500 mil a cada. Nas ligações, um quarto envolvido chega a ser mencionado, “Carlão”, que as irmãs concordam que deveria ficar de fora na distribuição do dinheiro pela pouca participação.

"(...) porque minha orelha esquerda não acha justo fazer partes iguais porque quem conseguiu foi ele", afirma Juliana à mãe.

Noutro momento, Luciana diz à irmã que Taques tem pressa em receber os documentos para incriminar Eder Moraes e entregá-los, pessoalmente, ao governador Silval Barbosa (PMDB).

Confira ao final da matéria os documentos da Operação Ararath digitalizados.

Reprodução

Entrevista dada pelo senador na mesma data do grampo telefônico "prevê" problemas judiciais para Eder e Silval

Entrevista com "previsão" de processos na mesma data

As datas da interceptações da PF coincidem com posicionamentos feitos na imprensa, onde Taques faz críticas incisivas contra o ex-secretário Eder Moraes. Taques citou, inclusive, previsão de que Eder traria problemas na Justiça ao governador Silval Barbosa (PMDB). A observação consta no relatório sigiloso ao qual o Isso É Notícia teve acesso.

No dia 27 de fevereiro de 2012, por exemplo, um dia após as mensagens enviadas do celular de Juliana à sua mãe, o site 24 Horas News publicou reportagem, com a seguinte manchete: "Pedro Taques prevê que Eder Moraes vai transformar Silval em réu na Justiça".

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Posicionamento

A assessoria de imprensa do senador afirma que Taques "não tem e nunca teve R$1,5 milhão para gastar com compra de dossiê e, mesmo que tivesse esse dinheiro, não tem interesse neste tipo de negócio".

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