O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou que a população tem se comportado como se a pandemia de Covid-19 já tivesse sido extinta. Figueiredo ainda defendeu cautela na realização de eventos e na flexibilização do uso de máscara facial. As declarações foram dadas na manhã desta terça-feira (7), em entrevista à Rádio CBN.
“Primeiro, temos que lembrar que ainda não saímos da pandemia. O nosso comportamento é como se tivéssemos promovendo eventos para comemorar a extinção da pandemia. O Réveillon vai existir, o carnaval não deixa de existir e é preciso ter prudência de como nós queremos comemorar essas datas”, disse o secretário.
O gestor destacou que a cobertura vacinal e o cenário de incertezas gerado pelo surgimento de uma nova variante do coronavírus no mundo devem ser analisados antes que sejam tomadas quaisquer medidas de flexibilização. “Já está comprovado o difícil controle em eventos de aglomerações. Por mais que você exija passaporte e que as pessoas tenham sido vacinadas, quando você está em um evento isso foge ao controle. Sempre tem gente que não está com a cobertura vacinal completa e mesmo para aqueles que já têm cobertura completa não estão 100% protegido. Então, qualquer aglomeração substancial é temerosa. Nós ainda não atingimos uma cobertura vacinal para ter conforto da população, Mato Grosso está chegando agora a 67% de cobertura”, explicou.
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“Então, eu gostaria que nós tivéssemos um pouquinho mais de esforço, vamos segurar um pouco a onda porque ainda não sabemos o que vem pela frente. Estamos verificando o crescimento da pandemia na Europa. Nós já assistimos isso antes, será que vamos estar blindados aqui? A nova variante já chegou ao país e no meu entendimento não será a última variante. Elas surgem justamente por força da baixa cobertura vacinal, então enquanto tiver um país no mundo com baixa cobertura vacinal o mundo inteiro estará correndo risco”, acrescentou Figueiredo.
Ele ainda esclareceu que, caso os gestores e a população não tenham cautela, o cenário pandêmico pode se agravar novamente nos municípios, fazendo com que estratégias que já foram desmobilizadas voltem a ser adotadas. “Eu não faria grandes eventos com aglomeração, porque senão nós vamos daqui uns dias voltar a fazer tudo que fizemos. Ampliar leitos, criar toda uma estratégia que de certa forma já foi parcialmente desmobilizada. Eu ainda prefiro a precaução, mas não vou entrar no debate de criticar diretamente esse ou aquele gestor. Eu não sinto esse temor por parte da população, o temor eu gostaria de sentir com as pessoas procurando os postos de vacinação” , pontuou.
Por fim, Figueiredo reforçou que ainda não é o momento de abandonar o uso das máscaras faciais de proteção. “Nós não saímos da pandemia, então ainda precisamos de proteção e se a máscara é uma proteção efetiva, assim como a higienização das mãos e certo distanciamento. Eu não vejo porque no meio de uma pandemia flexibilizar um ponto que estamos notando que no resto do mundo está voltando atrás. Dos males o menor, será que usar máscara é o maior sacrifício que nós temos nesse momento? Não”, concluiu.
PASSAPORTE DA VACINA
Já em relação ao veto ao passaporte da vacina que será votado na Assembleia Legislativa (ALMT), Figueiredo considera prematuro que o Estado interfira por meio de lei em decisões que devem ser tomadas por gestores municipais. “Acho que dificultar acesso em algumas áreas públicas talvez venha a ser um mecanismo coercitivo que tenha necessidade de se fazer. Então, acho um tanto prematuro aprovar através de lei e proibir algo que possa ser futuramente uma necessidade de segurança sanitária nacional. Eu gostaria que não tivesse nesse momento nem uma lei obrigando e nem proibindo algo que possa ser decisão de gestor municipal a luz dos dados epidemiológicos do seu território. Então, uma lei de abrangência estadual desse aspecto nesse momento, acho um pouco temerário”, argumentou.
Fonte: FOLHA DO ESTADO










