Montagem

Em 2008, quando disputava Prefeitura com Wilson Santos, coordenador financeiro foi flagrado comprando apoio de partido por R$ 400 mil
O vídeo veiculado pela Revista Época, em 2008, pode ajudar a entender os motivos que levam um candidato a prefeito milionário a contrair um empréstimo também milionário em pleno mês das eleições.
As imagens, gravadas e articuladas pelo ex-senador e marqueteiro Antero Paes de Barros, que à época presta serviços ao então prefeito e candidato à reeleição Wilson Santos (PSDB), mostram o coordenador financeiro da campanha de Mauro Mendes, à época no PR, negociando o apoio do PRTB, um partido nanico, para o segundo turno das eleições municipais.

Mauro Carvalho pagou propina por Mauro Mendes: ambos são alvos da Operação Ararath
Curiosamente, quem aparece no vídeo é o empresário Mauro Carvalho, dono da Discol, representante regional da Skol em Mato Grosso. Ele também é um dos alvos da Operação Ararath e teve sua casa e sua empresa vasculhadas pela Polícia Federal. Ele é acusado de montar uma Pequena Central Hidreelétrica (PCH) para lavar dinheiro para o ex-governador Blairo Maggi (PR), segundo apontou o Ministério Público Federal.
Nas imagens ele e o deputado federal falecido Homero Pereira, aparecem negociando o apoio do partido, inicialmente, pelo valor de R$ 500 mil. Como numa negociação da venda de um carro ou de uma casa, eles vão discutindo os valores e chegam ao consenso de pagar R$ 400 mil pelo apoio dos membros da sigla. Homero ainda afirma que vai pagar uma parte do valor de seu próprio bolso. Read more...
O fato, quando nada, pode nos fazer pensar sobre a finalidade de um candidato milionário contrair um empréstimo de R$ 3,4 milhões em pleno mês das eleições, como fez o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), um dos alvos da Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal, na semana passada. Ele teve sua casa e seu gabinete na Prefeitura de Cuiabá vasculhados por PFs em busca de documentos. Em junho de 2013, Mendes celebrou um contrato emergencial de R$ 3,7 milhões, praticamente no mesmo valor do empréstimo. Detalhe: a empresa era um Posto de Combustível do empresário Júnior Mendonça, dono da Rede Amazônia Petróle e da Globo Fomento Mercantil.
Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF), Júnior era o cabeça de um rubosto esquema especializado em lavagem de dinheiro para vários órgãos públicos de Mato Grosso. A empresa, por exemplo, foi o motivo pelo que fez a Justiça afastar o ex-defensor público-geral, André Prieto, por realizar um contrato com a Amazônia, coincidentemente, no valor de R$ 3,4 milhões, em 2011. Ele também teve suas contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e responde a processos cíveis e criminais por improbidade administrativa e crimes contra a administração pública.
Seis cidadãos protocolaram, na última sexta-feira (23), um pedido de cassação contra Mauro. O envolvimento de Mauro no "propinoduto" Mendonça é apenas um deles.
Réu em processo de fraude de até R$ 700 milhões em leilão público
Mauro também foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por fazer parte de um esquema que fraudou em até R$ 700 milhões um leilão judicial de uma mineradora realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Mato Grosso. A ação foi assinada pela procuradora Vanessa Zago, que conduz as investigações relacionadas à Operação Ararath.
O juiz César Augusto Bearsi, da 5ª Vara Federal de Cuiabá, recebeu a ação e ainda bloqueou todos os bens da empresa Maney Mineração, que pertence a Mauro Mendes. O magistrado acatou os pedidos porque viu havia procedência nas argumentações do MPF de que o leilão para a venda desnecessária de todo capital da Mineradora Salomão foi, do início ao fim, conduzida de forma irregular para beneficiar desde o juiz trabalhista Luiz Aparecido Ferreira Torres, afstado do cargo após o caso vir à tona e que determinou a venda da mineradora para o pagamento de indenizações trabalhistas; passando pelo corretor de imóveis que não intermediou a venda da mineradora, mas ganhou comissão de R$ 20 mil; até os compradores: a empresa Maney Mineradora Casa de Pedra e seus proprietários, Mauro Mendes, Valdinei Mauro de Souza e a filha dele Jéssica Cristina de Souza.
Para o MPF, todas as cinco pessoas envolvidas e a empresa foram beneficiadas pelo esquema. O caso também está sendo investigado na esfera criminal. Conforme o Isso É Notícia revelou, o procurador regional da República, Juliano Baiocchi, solicitou ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região a instauração de um inquérito criminal para apurar a conduta dos envolvidos. Mauro e o juiz afastado envolvido na fraude têm prerrogativa de foro por exercício de função e só podem ser investigados em segunda instância que, no caso da Justiça Federal, é em Brasília. O pedido ainda vai ser analisado pelo desembargador Kassio Nunes, da Corte Especial do TRF.
Na semana passada, o juiz Paulo Roberto Brescovici, designado para conduzir uma ação de anulação do leilão impetrada por uma empresa que se sentiu prejudicada pelo conluio formado para a venda da mineradora, confirmou as fraudes e anulou o leilão. Com a decisão, a empresa terá que deixar a área de exploração conhecida como Casa de Pedra, localizada na região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá.
Se condenado, Mauro pode perder os direitos políticos, ser afastado judicialmente do cargo de prefeito e ainda ter que devolver os valores que foram lesados.









