Cuiabá, 20 de outubro de 2019

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Ex-padre expulso por estupro é bolsonarista, anti-Francisco e 'discípulo' de padre de MT

Ex-padre expulso por estupro é bolsonarista, anti-Francisco e 'discípulo' de padre de MT

Padre Rodrigo Maria (à esq) e Padre Paulo Ricardo (à dir): parceria em missas e na doutrinação conservadora

O Papa Francisco aplicou, em fevereiro deste ano, a punição mais severa que a Igreja Católica pode dar a um clérigo, a excomunhão, ao ex-padre goiano Jean Rogers Rodrigo de Sousa, o "padre Rodrigo Maria", conhecido nas mídias sociais por vídeos conservadores e de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). À época, as informações foram divulgadas oficialmente pelo Vaticano.

Padre Rodrigo Maria foi acusado de estuprar pelo menos 11 ex-freiras e de promover “lavagem cerebral”. Antes de ser excomungado, ele já havia sido "transferido" para a Diocese de Ciudad del Este, no Paraguai.

“O sacerdote Jean Rogers Rodrigo de Sousa, desta diocese, recebeu do Santo Padre o decreto de perda do estado clerical e a dispensa das obrigações correspondentes”, disse o monsenhor Guillermo Stecklingo, em comunicado oficial da diocese paraguaia.

A expulsão foi o desfecho de uma investigação coordenada pela própria Igreja Católica contra o religioso, que já havia deixado rastros de suspeitas pelas dioceses por onde passou.

Um ano antes, o padre já havia sido suspenso de cerimônias e proibido de usar seu hábito. À época, à Folha de S.Paulo, o padre Rodrigo Maria negou as acusações e disse ser alvo de “calúnia por 11 mulheres”.

A decisão foi tomada em um momento em que o Papa Francisco debate no Vaticano os casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero que têm abalado a Igreja Católica nos últimos meses.

Bolsonarista e "discípulo" do Padre Paulo Ricardo

Nas redes sociais, Padre Rodrigo Maria já declarou apoio incondicional ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), com citações do tipo “uma Ave Maria para livrar o Brasil do comunismo”, e é como um "discípulo" jovem do padre Paulo Ricardo de Azevedo, de Cuiabá-MT, também conhecido por suas ideias conservadores e apoio ao político do PSL.

Ambos tem a mesma agenda de temas e tem pontos de vistas semelhantes em vários assuntos, entre eles a cruzada contra o que chamam de "invasão comunista, indigenista e apóstata" dentro da Igreja Católica.

Paulo Ricardo é fã de Olavo de Carvalho e já posou ao lado do astrólogo com uma espingarda na mão. 

O próprio presidente também já divulgou, em seu Twitter, o padre Paulo Ricardo, mostrando um vídeo onde o religioso defende o armamento e diz que cristão não é pacifista.

Nas eleições de 2018, Rodrigo Maria e Paulo Ricardo se dedicaram à campanha de Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Reprodução/Facebook

Padres bolsonaristas "catequizaram" eleitoralmente fieis durante a campanha presidencial de 2018

Padres bolsonaristas "catequizaram" eleitoralmente fieis durante a campanha presidencial de 2018

Em Cuiabá, o padre Paulo Ricardo também atua como ativista político. Há alguns meses, ele foi até à Câmara Municipal e articulou - sem sucesso - junto aos vereadores "cristãos" a derrubada de um decreto do prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB) que instituiu o nome social LGBT na administração pública municipal.

Paulo Ricardo também já foi desmentido pela Embaixada da Suécia após espalhar fakenews sobre o que chama de "ideologia de gênero" no sistema de educação sueco.

Eduardo Bolsonaro, filho do presidente que quer ser embaixador nos Estados Unidos, por sua vez, já indicou o padre Rodrigo Maria como fonte de informação.

Reprodução/Twitter

Referência do neoconservadorismo brasileiro, Olavo de Carvalho era constantemente exaltado pelo agora ex-padre nas redes sociais. Neste post, por exemplo, ele compartilha um vídeo do ex-astrólogo e compara a criação de filhos com a de cavalos:

Reprodução/Facebook

Quando surgiram as primeiras denúncias de abusos, Rodrigo Maria se defendeu justificando que “há meninas que se apaixonam” por ele. O padre culpa a “força mais destrutiva do universo, a FMD”. A sigla quer dizer “fúria da mulher desprezada”.

Padre Rodrigo Maria e Bolsonaro contra o Sínodo da Amazônia

Atualmente, o ex-padre Rodrigo Maria se dedica a denunciar, em vários vídeos postados no YouTube, a realização do "Sínodo da Amazônia" e faz críticas ao papa

Ele classifica o evento como "uma tentativa de destruição da igreja".

A mesma pauta é de interesse do governo de Bolsonaro. O próprio presidente declarou que o evento organizado pelo Vaticano é político e que ele será "monitorado" pela Agência Brasileira de Inteligência (ABI). As declarações foram vistas como um pré-conflito diplomático com o Pontífice.

Em seu canal no YouTube com 66 mil inscritos, o ex-padre continua usando o termo "padre Rodrigo Maria", não fala sobre sua excomunhão na biografia do canal e também mantém um site com o nome

Após a expulsão pelo Vaticano, no entanto, ele não aparece mais em seus vídeos que, na verdade, são áudios editados com imagens ilustrativas. Ele também mantém uma página conservadora no Facebook chamada "Templário de Maria", o mesmo nome do seu perfil no Instagram.

Estupro e masturbação via internet

A Folha de S. Paulo revelou em setembro de 2018 as acusações que pairavam desde 2006 contra o padre Rodrigo Maria. Na época, ele liderava uma comunidade católica em Anápolis (GO), a Arca de Maria. Hoje, o ex-padre não faz mais parte do grupo.

Uma ex-noviça na Arca narrou à reportagem que ela e colegas raspavam a cabeça e passavam a rejeitar as famílias e, se cometessem alguma "rebeldia", eram castigadas pelo padre - que, segundo ela, as submetia à dieta de pão e água.

 

Padre Rodrigo Maria, na Arca de Maria, em Anápolis

Padre Rodrigo Maria, na Arca de Maria, em Anápolis (GO)

Depois vieram denúncias de conduta sexual criminosa, de estupro a masturbação por meio de um bate-papo virtual, com prints que foram anexados no processo canônico.

Uma das ex-freiras contou ao jornal paulista como um estupro investigado aconteceu. “O padre chamou [as freiras] para conversar. Uma a uma. Cheguei, ele fechou a porta. Parecia que não estava em si, já veio com uma força muito grande, me jogando no sofá e levantando meu hábito. Não tive coragem de gritar. Tudo em cinco minutos que pareceram uma eternidade”, contou à Folha

Ele dizia que ia mudar, mas ela desconfiou que isso não aconteceria quando viu, no computador do padre, vídeos de sexo com animais, “de leão a macaco”, e e-mails de meninas de fora da Igreja que “mandavam fotos de calcinha e sutiã”. Rodrigo lhe dizia que era normal: “Excluo sempre”.

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Nãotens Nadaaverecomisso

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DIA 29.09.19 15h19
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