Cuiabá, 21 de novembro de 2017

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ALEX SOLNIK

Joesley detonou a aliança PMDB-PSDB

ALEX SOLNIK ALEX SOLNIK

Jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

Quando embarcaram na aventura de participar de um golpe parlamentar, pela primeira vez na história do Brasil, em sociedade com o que havia de pior na política brasileira, os tucanos planejavam e esperavam participar de um governo peemedebista de salvação nacional que alavancaria a economia e seria aplaudido em praça pública e então, em aliança com o PMDB fariam o próximo presidente da República, evidentemente Aécio Neves, que em 2014 quase chegara lá.

Esse era o plano: o PSDB se aliaria ao PMDB – encarregado de fazer o trabalho sujo de derrubar o PT do poder - e chegaria ao Planalto em 2018 com o apoio do PMDB.

Mas faltou combinar com os brasileiros.

À medida em que Temer não entregava nada de bom do que cumpria – o crescimento econômico – e, ao contrário, atacava os direitos e os rendimentos dos mais pobres, criava um ambiente propício à difusão de valores autoritários e preconceituosos, se enredava mais nas malhas da Lava Jato e mostrava abertamente a sua postura fisiológica, o sinal amarelo acendeu nas hostes tucanas.

O primeiro a pular fora foi José Serra ao perceber que se afogaria no lamaçal.

Em maio último, Joesley deu a punhalada final na aliança. A sua delação, com os frutos que produziu, atingiu de uma só vez Temer e Aécio, inviabilizando o presente e o futuro de ambos e de seus respectivos partidos.

As "vitórias" de Temer na Câmara, que rejeitou as denúncias contra ele e de Aécio no Senado, que rejeitou a ação do STF para afastá-lo não contribuíram em nada para melhorar as imagens deles, nem tranquilizar os tucanos, cientes de que ao lado de Aécio e de Temer partiriam para o suicídio político.

A guerra interna do PSDB chega ao fim com o desembarque do governo. Encurralado por Alckmin, Fernando Henrique, Serra e Tasso, Aécio jogou a toalha.

O tucano Bruno Araújo já entregou ao ex-chefe a joia da coroa, o Ministério das Cidades.

Era tudo o que o centrão queria de Temer, até agora – no ano que vem vai querer mais, sempre mais.

Os outros três vão se agarrar como puderem aos seus cargos – Aloysio Nunes com medo de perder o foro privilegiado e ter de se ver com Sergio Moro em Curitiba; Luislinda com medo de ficar mais pobre com os 31 mil reais a menos por mês e Imbassahy com medo de perder a eleição ao Senado no ano que vem para seu desafeto de partido – no entanto, para continuarem no governo terão de sair do PSDB.

Sem condições de entregar ao mercado sua maior promessa – a reforma da Previdência – e sem perspectiva de poder, o governo Temer caminha a passos largos para terminar antes do fim do mandato, desidratado por seus próprios defeitos.

Quem diria que o golpe fracassaria por causa de Joesley?

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