Cuiabá, 20 de setembro de 2018

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Procurador Mauro diz que é de esquerda na economia e conservador nos costumes

Ednilson Aguiar/O Livre
Procurador Mauro diz que é de esquerda na economia e conservador nos costumes
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De esquerda na economia, mas conservador nos costumes. É mais ou menos assim que Procurador Mauro, candidato ao Senado pelo PSOL, se apresentou aos eleitores mato-grossenses durante série de entrevistas realizada nesta terça-feira (28) no Grupo Gazeta de Comunicação.

Contrariando a militância de seu partido, Mauro é contra o aborto e a legalização das drogas, mas defende a taxação do agronegócio e a derrubada da reforma trabalhista aprovada este ano.

Se eleito, o que se senhor pretende fazer no Senado?

Nós acreditamos que precisamos ter uma representação popular. O que estamos acompanhando é que os atuais políticos representam os seus próprios interesses e os interesses de seus financiadores de campanha. Podemos exemplificar: tivemos no último período a reforma trabalhista, que precarizou imensamente o mercado de trabalho brasileiro, muitos direitos trabalhistas que estavam consolidados há décadas foram precarizadas, as entidades que comemoraram esta reforma foram, justamente, as de entidades do patronato. Isto demonstra exatamente esta questão dos interesses que estão lá representados.

Sobre a Lei Kandir, existe a possibilidade do senhor lutar para que ela seja revogada?

Eu acho que tem que ter uma ampla discussão. O agronegócio produz muita riqueza, mas fica nas mãos de poucos. E a tributação é uma forma de distribuir a riqueza. Você arrecada e repassa a riqueza através de serviços públicos de qualidade. Nós vemos com extrema preocupação a Lei Kandir porque ela é um incentivo fiscal às avessas, é uma lei que incentiva a desindustrialização. É melhor para o produtor vender o produto primário sendo desonerado do ICMS. O que ela promove é um país cada vez mais agrário.

Rever significa derrubar a lei?

Eu acredito que é possível, sim, a tributação. Se você tributa a produção que sai desonerada, você teria um caixa imenso de recursos. A revisão passa por discutir a tributação, para que a riqueza não fique concentrada só nas mãos dos barões do agronegócio. Um outro problema aqui no Brasil é que o único imposto que nunca saiu do papel da Constituição foi o imposto sobre grandes fortunas. Que sistema tributário é esse que os mais ricos pagam menos impostos e os mais pobres pagam mais? A mesma coisa é o agronegócio: o cidadão comum paga a sua conta de energia e paga ICMS e o grande produtor que está produzindo carretas e carretas de grãos é desonerado.

O senhor já se disse contra a descriminalização do aborto. A militância do PSOL é totalmente favorável. Eles se sentem incomodados?

Existem vários temas polêmicos: a questão do aborto, a questão das drogas. A gente já se posicionou contra, em 2016. O PSOL é um partido muito democrático. Nunca tivemos nenhum tempo de censura. O partido tem uma comunhão de interesses, mas nenhum partido é homogêneo. Eu vejo com tranquilidade a discordância, até porque várias lideranças nacionais tomaram decisões contrárias ao que era o posicionamento da direção nacional. Estas questões não devem ficar circunscritas à Câmara e ao Senado, acho que deveria ser feito um plebiscito e um referendo, com espaço para ambos os lados apresentarem seus argumentos. A decisão fica nas mãos da população, um caso bem emblemático foi a questão do desarmamento. Existem outras questões que demandam uma resposta mais rápida e você tem que escolher quais lutas irá representar.

Aquele compromisso de combater a corrupção em 2014 pelo atual governador Pedro Taques não foi cumprido?

Eu vejo muita gente cobrando uma atuação mais firme do PSOL no sentido de combater mais a corrupção, mas é importante que nós tenhamos clareza em alguns pontos. Por exemplo, em um debate nesta emissora na campanha para prefeito, em 2016, eu fiz uma pergunta para o então candidato Emanuel Pinheiro (MDB) sobre o que ele estava fazendo enquanto todo este dinheiro das obras da Copa estava sendo dilapidado. Ele disse que eu, como cidadão, é que deveria ter fiscalizado. Veja só, ele é que era o deputado com mandato, com as prerrogativas, não utilizou da prerrogativa e depois vimos porque ele não foi fiscalizar, porque foi filmado colocando no paletó o dinheiro de corrupção. Estamos aqui pleiteando o cargo de senador para que nós possamos realmente fiscalizar em nome do povo.

Nesta eleição a expectativa era que o senhor fosse candidato ao governo, o que mudou até aqui que o fez lançar candidatura ao Senado?

Antes do período eleitoral, nós tínhamos cinco pré-candidatos ao governo. Em uma discussão com a análise da conjuntura política a escolha do diretório foi que os outros pré-candidatos abrissem mão da candidatura de governador. Nós acreditávamos bastante que, na eleição de governador, conseguiríamos atingir o segundo turno, o que não conseguimos em 2016. Nós entendemos que, se o partido tinha muita chance na candidatura a governador, estas chances se ampliariam no Senado, porque este ano o eleitor poderá votar em dois candidatos.

Informações de bastidores dão conta de que essa mudança ocorreu com um acordo com o governador Pedro Taques. Isto realmente aconteceu?

Vimos isso aí com estranheza porque os jornalistas que divulgaram isso, em nenhum momento, entraram em contato com a nossa candidatura, porque certamente diríamos que isso nunca ocorreu. Quem conhece a nossa prática política de não coligar, de ter uma candidatura modesta e com poucos recursos, sabe que não é da nossa prática política este tipo de atitude.

 

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