Cuiabá, 21 de outubro de 2018

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GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO

Solidariedade mecânica e orgânica

GONÇALO ANTUNES DE BARROS GONÇALO ANTUNES DE BARROS

Juiz de Direito em Cuiabá

Em tese de doutoramento intitulada ‘De la Division du Travail Social’, Émile Durkheim, idos de 1893, discorre sobre a interação social dos indivíduos.

O aforismo social tenta revelar o que faz a unidade, estabilidade e continuidade das relações entre humanos no trabalho.

Conforme a perspectiva ‘durkheimiana’, existem dois tipos de solidariedade neste campo: a mecânica e a orgânica.

A primeira, é das sociedades que se organizam em clãs ou tribos, com os mesmos desejos, pensamentos e crenças.

Nestas, conhecidas como “arcaicas” ou “primitivas”, a comunhão é verdadeira, não havendo o predomínio de competições desnecessárias. 

O indivíduo tem consciência do próprio valor, não havendo espaço para sentimentos menos nobres, como a inveja, por exemplo, sentimento destruidor de relacionamentos sociais.

A subsistência do grupo possui maior importância, sob a máxima de que “uma mão lava a outra”. A ação é em prol da aliança, sempre, o bem de um é o bem de todos.

A outra, solidariedade orgânica, é a predominante nos agrupamentos mais “modernos” ou “complexos”.  Aqui, o individualismo é visível, já que o capitalismo floresce.

Em tempos de “salve-se quem puder”, não há compartilhamento de valores, crenças e interesses.

Acontece a divisão do trabalho, e, para cada qual, é inimaginável a repartição de problemas, sendo o nome “solidariedade” utilizado apenas formalmente.

Qualquer forma de coesão, neste particular, acontece puramente com o fito de garantir a própria permanência no trabalho.

 Trasladado para os nossos dias, é possível perceber as duas formas de solidariedade no meio laboral.

O predomínio da mecânica faz o ambiente extremamente agradável, onde os trabalhadores e trabalhadoras acolhem com facilidade.

O carinho com o trato pessoal é visível, acompanhado de sorrisos discretos de felicidade.

Quando a orgânica é a tônica da organização, nota-se o temor e dificuldade em estar no desempenho do trabalho, com horas, minutos e segundos contados para o fim do dia.

O dirigente, na verdade, é o algoz. A vitória alheia é quase uma ofensa pessoal.

Aqueles e aquelas responsáveis por administrar o trabalho, seja público ou privado, possuem a responsabilidade de escolher o tipo de execução de trabalho anseiam.

A aliança perfeita é formada sem que os envolvidos e envolvidas sequer se deem conta.

A escolha é do chefe, mas o lombo é dos demais.

 

É por aí...

 

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